Mouse On The Keys, Sesc Pompéia.

Isso aconteceu. Mais um show da longa Lista de Show Que Pensei Que Nunca Assistiria. Até porque o Mouse on The Keys tem um só disco e um par de EPs. Em 2009 eu ouvia o An Anxious Object e lia resenhas no finado The Silent Ballet sem nem cogitar assistir o trio ao vivo. E bem, aconteceu. Que tremendo show, uma saraivada incansável de pianera nervosa, de bateria frenética e empolgante, que fazia tu querer aprender a tocar bateria imediatamente. Foi um show de jazz que no sentimento era punk (tanto que o baterista cometeu stage dive algumas vezes e tudo). Os japoneses estavam completamente no controle do ambiente. Que show. Como é bom estar vivo.

Bugio + Hurtmold, CCSP.

O show da Bugio é muito parecido com o primeiro disco deles. Uma banda de baixo-bateria que ainda está na sua primeira fase, explorando diversos tons e territórios entre um acerto e outro. Nem tudo é bom, nem tudo é ruim. Nos momentos em que a riffzera começa a pegar a coisa fica interessante – todavia é uma banda anti-esporro. Por não explodir completamente, fica brigando contra a destruição o tempo todo. Também não abraça o drone incandescente (uma pena, pois um dos melhores momentos do show é quando o baixista resolve imitar um elefante com o baixo).

O Hurtmold entra sabendo exatamente que som quer tirar e esmerilha em cada e todo segundo. A improvisação é calculada e curtida, coisa de quem já meio que zerou o jogo e agora o joga para achar fases secretas. É provavelmente a maior e melhor banda de São Paulo de todos os tempos. Ouvia Hurtmold quando ainda nem morava aqui, imaginando que a cidade soava assim. Uma banda que pelo menos três discos perfeitos – e aquele split supremo com o Eternals, meu favorito quando penso em Hurtmold. O show demonstra tudo isso, há casca e há timbres perfeitos. Não há mais uma aura de novidade e talvez isso não seja necessariamente ruim. Baita show. Baita banda. Grande sentimento.

Queens of the Stone Age – Bizarre Festival, 1998.

Coisas a se atentar nesse show de 98 do Queens, de antes de eles lançarem o primeiro disco até: A Ovation do Homme, soando como se estivesse em brasas. O QOSTA como um trio, onde Homme e Olivieri saem pisando no acelerador sem limites e o Hernandez fica ali sempre segurando tudo com uma precisão absurda. A voz do Homme, pré-Ginger Elvis, ainda estava no modo “preciso arrumar um vocalista pra essa banda, enquanto isso vou cantar eu mesmo”. Tension Head, soando jovem pra caralho. Este comentário do vídeo no YouTube: “The beginning was much like that scene in Back to the Future she Michael J. Fox just started playing mad solos and everyone in the audience was petrified. You can tell everyone’s trying to process the future” – e o Homme, sabendo disso, antes de If Only: “you’ve never heard this shit before… but, y’know, that’s just the way it is”.