The Haunting, 1963.

Esse é um dos filmes que deixei no hd mofando por tempo demais. Essa belezinha do Robert Wise sempre aparece em listas e recomendações de filmes de horror. Vacilei por tempo demais: é puro delírio em preto e branco implacável. Doidera como o roteiro ainda funciona. A cinematografia talvez seja eterna: nunca uma casa pareceu tão assustadora, sem praticamente nenhum efeito especial – e esse lance de não ter CANTOS é um troço simples e que dá um senhor efeito final. Rola um estranhamento com a protagonista Eleanor, mas talvez seja proposital – e mesmo que não seja, tudo ajuda a construir o clima sombrio atemporal.

Cry-Baby, 1990.

Não estava nem um pouco preparado para esse delírio rockabilly, em forma de musical. É o tipo de filme que conheci através de referências, mas nunca tinha parado para assistir. Meio que sabia o que esperar. Só não estava preparado para esse ataque direto à minha memória afetiva e musical. Foi divertido do começo ao fim, e terminou tão rápido que me deixou meio desnorteado. É como um Scott Pilgrim sem videogame, cheio de música redneck no meio. Que filme, que destruição.

V/H/S 2, 2013.

O primeiro V/H/S foi interessante, uma coletânea de horror capaz de criar uma nova mitologia. O segundo filme segue a mesma estrutura, e expande ainda mais a premissa inicial. Gosto do uso do vídeo como artifício sobrenatural – Desde Blair Witch venho acompanhando o “gênero”: tivemos bons exemplares como Sinister, The Ring/Ringu, Shutter e Pulse. E com a série V/H/S, dá pra dizer que o gênero tá indo bem.

Only God Forgives, 2013.

Não que seja um filme bom. Muito menos o melhor do Refn. Mas ele tem aquela maldita atmosfera. Fico hipnotizado. Assisto somente para ficar encarando a tela, ouvindo os sons e aos poucos me sentir totalmente cooptado. É como um sonho recorrente. Há um conforto bem específico, incomum. Only God Forgives não é um filme, é apenas um espaço de tempo que eu gosto de visitar.

Page Eight, 2011.

Bill Nighy é um analista de inteligência do MI5, mora sozinho, teve quatro esposas, vive uma rotina minimalista – e então conhece a sua vizinha, Rachel Weisz. Daí tem alguma coisa envolvendo escândalos internacionais, mas tem também a Rachel Weisz. Grande filme para uma noite de domingo.

New World, 2013.

Dirigido pelo roteirista de I Saw The Devil. A história tem ecos de Infernal Affairs e outras tramas de crimes asiáticas. Os ternos são todos bem cortados e os carros, pretos e luxuosos. As cidades são letais de noite e pouco confortantes durante o dia. Os personagens acabam te conquistando de uma forma ou de outra – não adianta especular até assistir o filme inteiro. É um filme triste, mas não melancólico. Dificilmente filmes coreanos são melancólicos, aliás. A tristeza que eles carregam é bem específica, não se arrasta. Ela pontua. Vale ressaltar a cena da briga no estacionamento e elevador.

My Blueberry Nights, 2006.

Sempre enrolo muito para ver (ou rever) filmes do Wong Kar-Wai. Sei o que me espera neles. São filmes que primeiro fingi não gostar, depois abracei incondicionalmente e hoje em dia trato com cuidado, pois sei o estrago que cometem. Rever My Blueberry Nights foi um pouco mais fácil do que esperava, muito por ser em um idioma que conheço e por ser o filme do Kar-Wai que possivelmente mais escutei a trilha sonora. Havia muita coisa familiar no filme, mas mesmo assim sempre tem algo para te derrubar. Dessa vez foi talvez um diálogo logo nos cinco primeiros minutos do filme. É complicado esse negócio de ficar assistindo os filmes desse cara.

Behind The Candelabra, 2013.

Soderbergh meio que anunciou o final de sua carreira. E parece querer fazer todos os filmes do mundo antes dela terminar. Após os intensos Che, Contagion, Side Effects, Magic Mike e Haywire – lançados em um espaço de quatro anos! – vi ele aparecer do nada com esse Behind The Candelabra. No papel, uma cinebriografia do Liberace com Michael Douglas como o mito e Matt Damon como o amante jovem. Na tela, puras chamas incandescentes de Michael Douglas, que destrói tudo e todos quando entra em cena. Não importa nada mais. Se é para terminar a carreira de forma intensa, Soderbergh tá acertando muito.

Redemption, 2013.

Era para ser mais um filme de cara militar que resolve parar de matar gente, vai se esconder em algum lugar do mundo até que se vê obrigado a usar os seus talentos letais para ajudar alguém. E acaba sendo um filme desses, na verdade. Mas há algo incômodo em Redemption, que faz ele ir um pouco além da superficialidade aparente. Da metade para o final, mesmo tudo acontecendo como tu esperarias que acontecesse, ele consegue te tirar da zona de conforto que filmes de ação tanto respeitam. Nesses momentos, o pequeno filme de ação previsível brilha intensamente.

Das Boot, 1981.

O melhor filme de submarino que já assisti. Horas e horas de terror psicológico e táticas navais infinitas. Alemães durões são encarregados de atravessar Gibraltar, durante o pico das batalhas navais da Segunda Guerra. E vão lá e o fazem. A cena do Capitão jantando com os superiores durante o reabastecimento é de gelar os ossos.