The Only Living Boy in New York, 2017.

Meio inevitável assistir a esse filme inteiro imaginando a Marisa Tomei no lugar da Kate Beckinsale, mas tudo bem. Nada muito novo aqui, além do Jeff Bridges em chamas incandescentes em todas as cenas. Só por isso já vale a assistida “I’m a duke!”. Um bom filme de tardes de domingo. Saudades de ser um jovem granado.

Motherless Brooklyn, 2019.

Fadado a ser eternamente fascinado por filmes (neo) noir, demorou alguns minutos para eu curtir esse Motherless Brooklyn, dirigido e escrito pelo próprio Norton. De certa forma, é um filme sobre tentar lutar em umas categorias de peso acima da sua. Entendo. Destaque para um dos melhores Miles já registrados em um filme e para o eterno Alec Baldwin, que me fez ter simpatia por tiranos (mas não muita).

Nocturnal Animals, 2016.

Apesar de ser grande fã do primeiro filme do Ford, A Single Man (todo ano uma reassistida) deixei o Nocturnal Animals por anos ali no hd. Tentei começar, nem passava dos créditos. Talvez por receio de ser menor, talvez por querer ter algo que sei que iria me transtornar, só pelo prazer de ter algo intocado guardado. Uma ferramenta que se reserva para um uso específico. O tempo foi passando e parecia que não ia conseguir assistir esse filme. Felizmente em uma noite insone, olhei pro arquivo, o arquivo pra mim e o play foi dado. Um filme brutal, lindo e importante pra mim. Que você tenha o Michael Shannon ao teu lado quando fores caminhar pelo inferno.

One Night in Miami, 2020.

Tem algo de mágico em ver um ator encarnar o Ali da forma que acontece nesse filme, é como uma enorme injeção B12. Inevitável olhar pra mim mesmo no espelho e exclamar não tem latino mais bonito que eu puta que pariu. O mesmo acontece com Sam Cooke, que apenas sorri, faz milhões e aceita com dignidade ser reduzido a mais um cantor. Bom filme, de estética irrepreensível, atores sedimentados em seus papéis e ritmo que fica entre treta e glória o tempo todo.

Her Smell, 2018.

Tava pensando aqui quando foi que assisti um filme do Alex Ross Perry, porque o nome não me é estranho.

Foi um pouco antes de me mudar de São Paulo. Entrei em uma seção de Listen Up Philip naquele cinema Itaú da Augusta, em 2014. Parece umas duas vidas atrás. Entrar em uma sala de cinema espontaneamente. Cinema com saída pra rua. Essas coisas que vão se perdendo.

Her Smell é o mais recente dele, e assim como Listen Up Philip, é um filme que demanda bastante do espectador. Neste caso não só é difícil acompanhar os diálogos frenéticos (com um quê caótico-irritante de Safdie Brothers) como a trilha sonora/sound design totalmente paranoico e semi-nauseante (com um quê sádico de Gaspar Noé) que te degasta minuto após minuto.

Teve um momento em que tive que parar o filme só pra poder respirar normalmente. Colocar a cabeça fora da água.

Elizabeth Moss, eterna favorita deste humilde canal, comanda todo esse teatro com maestria. Por mais difícil que seja assistir essa bad trip em forma de filme, há muito a ser aproveitado aqui. seja o retrato importante de um período musical ainda pouco explorado no cinema, seja no elenco de suporte que brilha demais (quando consegue).

Não há muita redenção, ou até mesmo satisfação. Mas há pureza. O que mais pode se querer de um filme.

The Battery, 2012.

Seria mais um filme indie sobre broders que andam por aí fumando beques, bebendo cerveja, jogando baseball – se não fosse pelo fato de que existem zumbis andando pela terra. E meio que isso acaba com o rolê todo, na real. Mas ao mesmo tempo é para um deles a oportunidade para não tomar banho, matar uns monstrengos e viver selvagem por aí – enquanto para outro faz falta dormir em uma cama de verdade. Com orçamento claramente baixo, Jeremy Gardner escreve, dirige, produz e atua em The Battery, que consegue ter momentos massa aqui e ali. Um bom filme para tardes de sábado.

Calvary, 2014.

O primeiro filme do John Michael McDonagh foi The Guard, que é basicamente um dos filmes mais engraçados que assisti. Foi um belo primeiro filme do diretor-roteirista. Calvary é o segundo dele, de novo com o Brendan Gleeson (que parece estar em tudo que é filme recentemente e meio que TUDO BEM). Não é tão engraçado quanto The Guard e talvez nem seja essa a intenção, pois acaba sendo um pouco mais exploratório, por assim dizer. É um filme autoconsciente, de passada lenta, mas não arrastada. Não chega a ser triste. É pragmático demais para se deixar entristecer. Gosta demais de brincar com seus personagens e suas situações para isso. Tem até o Dylan Moran. E todo filme com o Dylan Moran merece uma assistida. Bem que podia ser uma série.

Afflicted, 2013.

Tempos atrás fiz um top 5 de filmes found footage e caso tivesse assistido esse Afflicted, pelo menos colocaria nas menções honrosas. A primeira parte do filme é no estilo clássico de diário de pessoas normais que filmam tudo, já a segunda é um FPS de terror totalmente em chamas. Não dá pra falar muito do filme sem estragar muito as coisas, mas é um bom exemplo de que como subgênero, o found footage ainda tem algum espaço a ser explorado.

Only Lovers Left Alive, 2013.

Me sinto totalmente pretensioso e meio pau no cu ao afirmar que adorei cada segundo desse filme. Only Lovers Left Alive pode até ser sobre vampiros seculares que conversam sobre Tesla, astrofísica, botânica e viveram durante praticamente todos os movimentos culturais da humanidade. Mas creio que é sobre uma linha de tempo longa o suficiente para mostrar que poucas coisas são realmente imortais. Difícil não se apaixonar pelo casal, principalmente pelo romântico e suicida Adam (Hiddleston em brasa), que toca post-rock fúnebre, gravado em pornográficos aparelhos analógicos. Um filme delicioso para quem é nerd consigo mesmo (o jogo de Doutores que Adam faz com seu traficante de sangue) e que não costuma entender toda a humanidade (o desdém de Adam pela tecnologia que usamos). Filmes como esse são prêmios secretos para quem vive tempo demais consumindo tudo ao seu redor, decorando todos os detalhes e todas as nuances de tudo que lhe apetece. De nerd para nerd, com amor.

The Raid 2: Berandal, 2014.

No primeiro The Raid, o diretor Gareth Evans tinha a vontade e a visão para fazer um grande filme de artes marciais, apresentando o pencak silat ao mundo da forma brutal (jamais esquecer o primeiro filme sobre o estilo, que é do Evans também: o eterno Merantau). Mas longe de ser um filme refinado. Havia apenas intenção, que esbarrava em uma ou outra limitação técnica e um roteiro que ansiava por cenas e mais cenas de lutas (o que não pode ser interpretado diretamente como algo ruim, sempre). Em sua continuação, há mais orçamento, refinamento, uma capacidade técnica mais robusta. The Raid 2 é um filme que nasceu diretamente da visão do primeiro – e por causa do seu sucesso. É um filme de artes marciais para apaixonados por filmes artes marciais, que cresceram grudados em TVs de tubo assistindo fitas VHS toscas e mal dubladas de filmes asiáticos. Nas duas horas e meia de filme, fica a impressão que que o diretor resolveu realizar todos os sonhos de um moleque que cresceu assistindo filmes de artes marciais, imaginando cada vez mais cenas de luta imediatamente após assistir um filme impressionante. Dá pra listar a Cena do Banheiro Na Prisão, a Cena da Briga Na Lama, a Cena da Luta Dentro do Carro, a Cena do Metrô, a Cena da Boate e a brutalmente linda Cena da Cozinha como realizações extraídas da mente de um viciado de filmes de artes marciais. Sem contar os personagens, que também são saídos desse mesmo imaginário: A Mina Que Luta Com Dois Martelos, o Assassino Do Terçado, o Cara Do Taco e Bola de Baseball e o Capanga Das Lâminas Dentadas. Um filme cadenciado, que se dá tempo para criar suas cenas, não se atropela e consegue evitar a intenção mortal e falida de elevar filmes de artes marciais ao status de arte. Aqui o negócio é MUITA CABEÇADA EM QUINA e COTOVELADA NA CLAVÍCULA. Um filme gore que vai vender milhões de DVDs piratas pelo mundo pra sempre, que vai ser obrigatório para todo moleque de onze anos que curte ver umas cenas pegadas de luta. Um filme que de certa forma realiza alguns sonhos de muito maluco que nem eu.