Salem’s Pot – .​.​.​Lurar Ut Dig På Prärien EP, 2014.

Não tem nada de novo nesse EP dos suecos chapados da Salem’s Pot. Assim como o gangsta, o stoner doom sempre vai ser divertido justamente porque o seu repertório é limitado e insuperável. Riffs em tritão tocados através de amplificadores de baixo, bateria em ritmo de relógio da torre, letras que misturam filmes de horror com algumas insanidade lovecraftianas cantadas naquele coro hipnotizante e sombrio: tá tudo nesse EP. Ainda bem.

Night of the Demon AKA Curse of the Demon, 1957.

em 1957, um filme sobre demônios devia ser algo bem sinistro. Esse do Jacques Tourneur provavelmente devia ser um dos mais, até porque se leva bastante a sério. O roteiro ainda segura as pontas até hoje (massa ver um filme em que os cientistas ainda tratam hipnose como algo seriamente científico?) e apresenta uma estrutura abusada até hoje em filmes de horror, provando que não há nada de novo desde aquela época: verborragia científica para mascarar argumentos de “não acredito em demônios”, referências ocultas rebuscadas e intraduzíveis para rechear argumentos “o demônio é real mermão” – e claro, cenas dúbias para assustar. O demônio em si é um espetáculo brega e gloriosamente datado.

Chet Faker – Built on Glass, 2014.

Sempre foi bem massa ouvir os singles e EPs do Chet Faker. Na hora de fazer um disco inteiro, não teve erro: tá tudo certo, tudo funciona. O clima supremo é de Música Pra Se Ouvir em Andares Altos Com Carpete e Grandes Janelas de Vidro Durante Madrugada De Sexta. É o gangsta emocional do cara branco de apartamento, o soul do bróder de humanas que curtia Otis Redding e Metallica ao mesmo tempo. É o yang do The Weeknd mixtape-era. Tem palminhas, refrões massa e um clima frio constante, sem exagerar no falsete porque o importante é o sentimento. Baita disco.

The Dirty Nil – SMITE EP, 2014.

Tem dias que tudo que tu precisas é de baterias enormes, guitarras rápidas e vocal calcado na gritaria melódica irresistível. Esse EP SMITE de cinco faixas do The Dirty Nil é exatamente isso. Uma banda que só tem EPs, aliás, entregando mais uma dose de fatalidade que te tira o fôlego e deixa feliz. Deve ser uma banda massa ao vivo. Meu favorito há uns dias, roda no repeat sem esforço.

The Haunting, 1963.

Esse é um dos filmes que deixei no hd mofando por tempo demais. Essa belezinha do Robert Wise sempre aparece em listas e recomendações de filmes de horror. Vacilei por tempo demais: é puro delírio em preto e branco implacável. Doidera como o roteiro ainda funciona. A cinematografia talvez seja eterna: nunca uma casa pareceu tão assustadora, sem praticamente nenhum efeito especial – e esse lance de não ter CANTOS é um troço simples e que dá um senhor efeito final. Rola um estranhamento com a protagonista Eleanor, mas talvez seja proposital – e mesmo que não seja, tudo ajuda a construir o clima sombrio atemporal.

Top 5 filmes found footage dos últimos anos.

Talvez o primeiro filme de found footage (esse sub gênero que baseia-se em imagens feitas por câmeras de vídeo na mão dos personagens/locais em que passaram) que eu assisti tenha sido The Blair Witch Project. Ali nos meus 13 anos foi um baita filme, referência que carreguei por muito tempo.

Desde então acompanho o sub gênero com carinho pois sempre imaginei que muito ainda poderia ser feito com ele – ao mesmo tempo assisti filmes anteriores a The Blair Witch, como Punishment Park e Man Bites Dog, buscando ver o que já tinha sido feito.

Nos últimos anos o seu potencial foi amplamente explorado (até porque há câmeras em todos os lugares agora). Assim como aconteceram blockbusters como os cinquenta Paranormal Activity e o pretensioso-porém-bobo Cloverfield, tivemos filmes que exploraram as suas nuances e que responderam ânsias fundamentais de moleques que como eu observaram o sub gênero evoluir com fúria: Como seria um filme de alien feito assim? um de exorcismo? um policial? e um de fim do mundo? 

Para pontuar este bom momento do sub gênero/estilo: Top 5 filmes de found footage dos últimos anos:

5. Europa Report, 2013. 

Acompanhamos uma missão que tem como objetivo explorar Europa, uma das luas de Saturno. Possui uma narrativa que, apesar de ser rasa no desenvolvimento de personagens, consegue ter um ritmo delicioso e capaz de criar uma sensação claustrofóbica que só filmes de espaço conseguem. E que belo final, totalmente feito para agradar meu nerd interior de 13 anos de idade.

4. The Bay, 2012. 

Essa belezinha de filme é sobre uma infestação que ocorre em uma cidadezinha. Dá medo, dá frustração e brilha quando explora uma das melhores facetas do sub gênero: te faz sentir na pele como é estar ali, apreciando um ponto de vista que só seria possível através de uma câmera na mão.

3. The Poughkeepsie Tapes, 2007.

Pura doença em forma de filme de found footage. A premissa é: um documentário sobre um serial killer que gravava tudo que fazia com suas vítimas. Não vou dizer mais nada. Exige fôlego. Assombra pra caralho. Cuidado.

2. REC 2, 2009.

A série de filmes que deveria se chama PUTA MADRE. O primeiro filme foi bem massa – e o terceiro foi apenas divertido para eu e umas duas pessoas. Mas tudo deu certo no segundo filme. Explora os acontecimentos pós-REC 1 através do ponto de vista de policiais de um batalhão especial, equipados com várias câmeras e metralhadoras carregadas. Se ficou faltando algo no primeiro REC, tá presente no REC 2 e mais um pouco.

1. End Of Watch, 2012.

Como eu curti assistir esse filme. Dois policiais durões de Los Angeles registram sua rotina com diversas câmeras, numa forma de trabalho de faculdade de um deles. Chega uma hora que tu nem reparas nas câmeras: a ação vai apenas fluindo inclemente, sombria e low-key bem engraçada. Se Michael Mann fizesse um filme de found footage, acho que sairia assim. Que filme.

2013 no meu Last.fm.

Dez bandas que mais escutei esse ano, segundo o last.fm. Ou seja: é incompleto mas serve pra se ter uma noção.

1. Morphine – Porra como não ouvir muitão Morphine nessa vida. Ainda mais porque assisti o documentário sobre o Mark Sandman e deu aquela puta vontade de ser fã de novo da banda. De redescobrir todos os detalhes de uma das bandas que mais ouvi e continuo ouvindo nessa vida.

2. Muddy Waters – Ainda bem que tem disco pra caralho do Muddy. Esse ano ouvi uns treze dele no repeat e ainda tem uma caralhada que nem peguei. Obrigado por tudo, meu velho.

3. Chance The Rapper – Capaz de ser o disco/mixtape do ano Ouvi muito em caronas de volta para casa, coloquei para tocar em festas de apartamento e quase consegui deixar ela tocando inteira no Mancha.

4. The Black Crowes – Sempre achei BANDA DE MAGRO. Daí emagreci um pouco e resolvi escutar com carinho. Acho que tem também o fato de eu estar ficando velho e começar a gostar de discos por causa da produção, do TIMBRE e do som do estúdio em que foram gravados. E o Black Crowes sempre prestou muita atenção nisso tudo. Da pedrada glam de By Your Side ao sentimento de uma sessão de ensaio pedrada de Lions, os discos da banda sempre possuem uma identidade muito definida e crocante.

5. Johnny Cash – Peguei todas as gravações da Sun do Velho Cash. Botei no Shuffle e caminhei um bocado. se tinha alguém correto nesse cosmos, era o velho. A versão expandida das gravações de Folsom também são demais, com aquele Carl Perkins (melhor que Elvis) no começo esmerilhando tudo.

6. A$ap Rocky – Harlem sempre estará no meu coração. Apesar de irregular, o primeiro disco do Rocky rodou bastante nos meus players. Se tivesse umas cinco faixas a menos, seria um dos discos do ano.

7. T-Bone Walker – Apenas: baixei a caixa original source e não consigo largar dela. Todas as gravações do T-Bone até 1951 e quando começa a chegar no AUGE – a caixa acaba. As gravações da Imperial continuam em outra caixa, mas gosto do CRESCENDO que essa caixa proporciona.

8. Arctic Monkeys – Envelheci junto com essa banda. E ela envelheceu do jeito que eu queria ter envelhecido.. O topete que cultivei durante todo este ano é prova dessa identificação (é da hora ser fã de banda).

9. Kendrick Lamar – O jovem poeta das ruas de Compton não soltou muita coisa no ano, mas rodei muito as primeiras mixtapes dele. Claro que houve aquele verso de CONTROL que rompeu o continuum do hip hop sem cerimônia.

10. Snoop Dogg – ain’t nuthin’ but a g thang.

E segundo o last.fm, JUICE foi a faixa que mais escutei no ano. Que sentimento.

Cry-Baby, 1990.

Não estava nem um pouco preparado para esse delírio rockabilly, em forma de musical. É o tipo de filme que conheci através de referências, mas nunca tinha parado para assistir. Meio que sabia o que esperar. Só não estava preparado para esse ataque direto à minha memória afetiva e musical. Foi divertido do começo ao fim, e terminou tão rápido que me deixou meio desnorteado. É como um Scott Pilgrim sem videogame, cheio de música redneck no meio. Que filme, que destruição.

Breaking Bad, Finale.

Não creio que seja uma das séries Top 5 de todos os tempos – e talvez nem precise ser. Mas é uma série corajosa. Transformou meth em algo pop, utilizou o plot inicial para construir sólidos arcos em cinco temporadas – e no final conseguiu destruir tudo e todos. Esse é o legado de Breaking Bad para mim: tu podes fazer tudo que quiseres, mas esteja pronto para levar algumas balas. E muita gente vai se machucar. Ganhou lugar cativo no imaginário pop deste novo século (como esquecer o eterno Tuco, a participação de Danny Trejo, o Cartel, Gus, Saul e tantos outros bons personagens e situações doidera?) e fez do seu último episódio algo definitivo mas não fatal, como todo bom faroeste deve ser. Quando uma série te faz sentir falta dela, não importa muito o resto: ela fez o que tinha que ser feito.

V/H/S 2, 2013.

O primeiro V/H/S foi interessante, uma coletânea de horror capaz de criar uma nova mitologia. O segundo filme segue a mesma estrutura, e expande ainda mais a premissa inicial. Gosto do uso do vídeo como artifício sobrenatural – Desde Blair Witch venho acompanhando o “gênero”: tivemos bons exemplares como Sinister, The Ring/Ringu, Shutter e Pulse. E com a série V/H/S, dá pra dizer que o gênero tá indo bem.