Tim’s Vermeer, 2013.

Faz um bom tempo que acompanho as coisas que Penn & Teller produzem, mais porque eles parecem ser enormes nerds com muitos recursos do que outra coisa. Peguei esse documentário, produzido pelos dois e dirigido pelo Teller – e de certa forma teve o mesmo efeito que aquele sobre o Ricky Jay: pura imersão, detalhismo delicioso, necessário. Um foco em um assunto que à primeira vista poderia ser bastante chato. É sobre um nerd, é sobre um mestrão pintor holandês, mas principalmente é sobre fazer as coisas que queremos fazer, seja no caso do Vermeer, do Tim ou do Penn & Teller. Cultura DIY eterna.

Habibi – Habibi, 2014.

Ouvi algumas vezes com o repeat ligado esse primeiro disco da Habibi, e o Head In The Dirt do Hanni El Khatib. Dois discos crocantes e curtinhos – bons pra se deixar tocando um par de vezes, sem nem reparar que já acabaram e começaram de novo. O primeiro da Habibi é ainda mais legal porque tem uma vibe lo-fi e pop mais pegada, cheio de bons refrões e letras engraçadas. Sempre bom ouvir corinhos e solos de guitarra. Boa banda.

Enemy, 2013.

Denis Villeneuve como mestre da desolação. Em 2013 entregou dois filmes prontos para desestruturar tua tranquilidade. Prisoners foi o mais direto, mais brutal. Apresentou um Jake Gylenhaal dirigido perfeitamente. Enemy é um pouco diferente, adaptando o romance de Saramago, conduzido com esmero e sem muitos erros clássicos de adaptações. Jake esmerilha muito. Detalhista e minimalista ao mesmo tempo. Talvez seja o destino de adaptações literárias sempre falharem, mas que pelo menos falhem mais como Enemy.

Albinö Rhino – Albinö Rhino, 2014.

Olhei essa capa e já deu pra saber que esse som seria grosso, o mais baixo possível, fincado no grave – e assim que começou a tocar The Forest Prevails, fui sucumbindo aos poucos a cada virada de riff, ficando preso sob uma camada de drone stoner que ganhava cada vez mais corpo, mais peso, ficando mais GRUDENTO e MELADO. Completo arrastão sensorial orquestrato por um trio finlandês. No final do disco, dá pra sentir o cheiro desse PEDRÃO aí da capa (baita nome de banda, aliás).

Serpent Throne – Ride Satan Ride, 2007.

A frase que melhor resume o Serpent Throne é: We don’t need a singer because he’ll just get in the way of the riffs. Tinha ouvido o quarto disco deles em 2013, Brother Lucifer, e curti – mas senti que precisava dar um passo atrás. Era o quarto disco, o som já estava indo por outros caminhos. Peguei recentemente esse primeiro, Ride Satan Ride e MASQUEI cada faixa com vontade. Experiência muito superior ao quarto disco, esse debut é pura casca de pizza em forma de riffs e solinhos intercalados. O tom de filme estradista também me agradou demais. Agora tou pronto para fazer o caminho até o quarto disco de novo. Antes, só mais algumas dezenas de rotações desse Ride Satan Ride.

Joe, 2013.

Em 2013 o David Gordon Green entregou dois filmes em um tom bem diferente das suas comédias anteriores: Prince Avalanche, um remake de um filme Islandês, com trilha jovial do Explosions In The Sky e Paul Rudd de bigode – que foi bem massa, grandes cenas intercaladas por momentos de excruciante minimalismo e lentidão. O outro foi esse Joe. A cenografia é fatal, com muita coisa pra se explorar na tela, o roteiro é nos moldes estou-assistindo-um-acidente-de-carro-forma-de-filme e nada muito além do esperado acontece, mas assim como Prince Avalanche, tem seus momentos. Lembra um pouco o excelente Mud.

Zulu AKA City of Violence, 2013.

Dia desses assisti o Anthony Zimmer, o bacanoso primeiro filme do frânces Jerôme Salle (nem me liguei na hora que tinha assistido muito antes o remake dele, o bobo The Tourist, com o Depp e a Jolie). Fiquei curioso com o diretor e peguei o Zulu, do ano passado. Lembra um pouco Tropa de Elite na forma como a brutalidade escala rapidamente, deixando poucos reféns e muitas vítimas. África do sul em modo trata pura. Até o Orlando Bloom consegue ir além da sua casca hollywoodiana e entrega uma bela performance. As cenas finais são muito bonitas, fechando o filme em um tom totalmente desolador. Um dos roteiristas é o Julien Rappeneau, que também foi roteirista em 36, que considero um dos melhores filmes policiais de todos os tempos.

Dopefight – Buds, 2010.

Uma audição, duas, três e de repente virou um dos meus discos de stoner favoritos de todos os tempos. BAITA DESTRUIÇÃO ESFUMAÇADA. Li uma parada que “Dopefight enjoy partaking in riffing and smashing stuff so much that they forget about vocals until the last 20 seconds of each song” e basicamente é isso, com um baixo imenso imitando o andar de um Kaiju na selva (como na gloriosa (Don’t Inflict Your) Spawn (Upon Me)) e aquele maremoto de riffs atacando de todos os lados. Como é um um disco desses de vez em quando, LIMPA OS OUVIDOS e tal.

Kill West – EP, 2014.

É como se uma banda de doom resolvesse um dia colar na praia, desse uma surfada marota e curtisse o lance. Esse EP do Kill West é possivelmente a única coisa de SURF DOOM que ouvi – ou STONER SURF – ou DEATH SURF. Definitivamente alguma coisa com SURF no meio. A capa dá uma idéia. Algo por aí. Vocais afogados em reverb, bateria que engata um surf em slow motion e guitarras pesadas, todavia melodiosas. Favorito meu há uns dias, merece efusivos elogios pelo SENTIMENTO.

Gigatron2000 – The Cosmic Desert Cruise, 2013.

Trilha sonora para se conquistar planetas na base da guerra espacial. Stoner doom instrumental POP fincado no acelerador, com intenção de te impulsionar o mais rápido possível ao teu destino com um sorriso no rosto. Lembra aquele episódio de Cowboy Bebop chamado Heavy Metal Queen. Lembra uma base espacial entrando em chamas. Foi lançado em fita cassete e vinha uma NAVINHA junto (bah). Diversão sem limites para amantes do riff e do groove espacial stoner retrô. O disco mais crocante que ouvi esse ano. Tem uns bagulhos que só te deixam feliz.