Deceptive Practice: The Mysteries and Mentors of Ricky Jay, 2013.

Jay passa o documentário todo contando como grandes nomes da área o ensinaram, de uma forma ou de outra, como mestrar uma arte. O tipo de mágica que Jay cultiva é bastante rara hoje em dia, não há pirotecnia nem efeitos especiais devastadores. Mas há: precisão cirúrgica em todas as palavras, movimentos e expressões, controle total do que a platéia está vendo e finalmente um efeito mágico tão incrível, que impossível não coçar a cabeça. Belo documentário, podia ter umas cinco horas.

Bobby Fischer Against The World, 2011.

Um passeio bastante atordoante pela história e dias de Bobby Fischer. O documentário conta seu início totalmente obsessivo com o jogo, sua confusão mental, que lhe custou décadas de reclusão e finalmente o seu ressurgimento – uma outra pessoa, longe da figura que lhe trouxe fama. Não especulo muito sobre que tipo de transtornos mentais ele tem ou teve, mas que foi uma jornada selvagem e inclemente, isso foi. Nunca esquecer de Bobby Fischer. E que se for preciso ir contra tudo e todos, que seja.

Only God Forgives, 2013.

Não que seja um filme bom. Muito menos o melhor do Refn. Mas ele tem aquela maldita atmosfera. Fico hipnotizado. Assisto somente para ficar encarando a tela, ouvindo os sons e aos poucos me sentir totalmente cooptado. É como um sonho recorrente. Há um conforto bem específico, incomum. Only God Forgives não é um filme, é apenas um espaço de tempo que eu gosto de visitar.

Page Eight, 2011.

Bill Nighy é um analista de inteligência do MI5, mora sozinho, teve quatro esposas, vive uma rotina minimalista – e então conhece a sua vizinha, Rachel Weisz. Daí tem alguma coisa envolvendo escândalos internacionais, mas tem também a Rachel Weisz. Grande filme para uma noite de domingo.

Luther, S03E02.

Desde a primeira temporada, um delírio wagneriano em forma de série policial britânica, acompanhar Luther tem sido complicado. Tudo começou, e terminou, de um jeito tão destruidor na primeira temporada. Acompanhar os dias do detetive John Luther depois disso é nada menos do que sadismo. Mas mesmo assim continuo assistindo. Por mais que já tenha acontecido um final, eu quero que ele não seja definitivo. Luther e eu não queremos isso.

Google And The World Brain, 2013.

O medo que esse documentário desenvolve dentro de ti é incrível. Os minutos vão passando, tu vais captando informações, digerindo argumentos, ficando triste e ansioso. Era para ser um filme sobre o projeto Google Books, sobre como teríamos a nossa Biblioteca de Alxeandria digital. Acaba sendo sobre como entramos de cabeça (e por que não?) nessa bela era da Internet – e só agora estamos parando para olhar os termos de serviço. Um documentário que parece de cara até tardio, datado. Entretanto, apresenta o layout de discussões intensas que acontecerão nas próximas décadas. E dá medo, muito medo.

New World, 2013.

Dirigido pelo roteirista de I Saw The Devil. A história tem ecos de Infernal Affairs e outras tramas de crimes asiáticas. Os ternos são todos bem cortados e os carros, pretos e luxuosos. As cidades são letais de noite e pouco confortantes durante o dia. Os personagens acabam te conquistando de uma forma ou de outra – não adianta especular até assistir o filme inteiro. É um filme triste, mas não melancólico. Dificilmente filmes coreanos são melancólicos, aliás. A tristeza que eles carregam é bem específica, não se arrasta. Ela pontua. Vale ressaltar a cena da briga no estacionamento e elevador.

My Blueberry Nights, 2006.

Sempre enrolo muito para ver (ou rever) filmes do Wong Kar-Wai. Sei o que me espera neles. São filmes que primeiro fingi não gostar, depois abracei incondicionalmente e hoje em dia trato com cuidado, pois sei o estrago que cometem. Rever My Blueberry Nights foi um pouco mais fácil do que esperava, muito por ser em um idioma que conheço e por ser o filme do Kar-Wai que possivelmente mais escutei a trilha sonora. Havia muita coisa familiar no filme, mas mesmo assim sempre tem algo para te derrubar. Dessa vez foi talvez um diálogo logo nos cinco primeiros minutos do filme. É complicado esse negócio de ficar assistindo os filmes desse cara.

Behind The Candelabra, 2013.

Soderbergh meio que anunciou o final de sua carreira. E parece querer fazer todos os filmes do mundo antes dela terminar. Após os intensos Che, Contagion, Side Effects, Magic Mike e Haywire – lançados em um espaço de quatro anos! – vi ele aparecer do nada com esse Behind The Candelabra. No papel, uma cinebriografia do Liberace com Michael Douglas como o mito e Matt Damon como o amante jovem. Na tela, puras chamas incandescentes de Michael Douglas, que destrói tudo e todos quando entra em cena. Não importa nada mais. Se é para terminar a carreira de forma intensa, Soderbergh tá acertando muito.

Redemption, 2013.

Era para ser mais um filme de cara militar que resolve parar de matar gente, vai se esconder em algum lugar do mundo até que se vê obrigado a usar os seus talentos letais para ajudar alguém. E acaba sendo um filme desses, na verdade. Mas há algo incômodo em Redemption, que faz ele ir um pouco além da superficialidade aparente. Da metade para o final, mesmo tudo acontecendo como tu esperarias que acontecesse, ele consegue te tirar da zona de conforto que filmes de ação tanto respeitam. Nesses momentos, o pequeno filme de ação previsível brilha intensamente.