The Bear, S02.

A ressonância emocional de The Bear na minha imensa cabeça é tremenda, me sinto como um moleque ouvindo no repeat Ride The Lightning, tentando memorizar cada detalhe e encontrando pedaços de mim que nem sabia que existiam. Talvez seja isso: de vez em quando tu encontras alguma obra de arte que te mostra que tu também és assim, que o jeito que tu vês o mundo não é solitário, por mais forte que seja essa sensação. Essas coisas importam, ou prefiro escolher que importam: o que ressoa contigo. E comigo é uma série sobre aspirar, ser, e fazer. Ênfase no fazer, que é algo que sinto que experimento na minha vida só nos últimos anos. Matei os episódios dessa temporada em dois dias, chorando, rindo, gargalhando. Me emocionei com o elenco, com o roteiro que, junto com a escrita do Jesse Armstrong pra Succession, é de um impacto emocional fodido. Como é bom ser nerd de roteiro. Que época para se viver. The Bear finca o pé num mundo crowdeado de shows e séries, tal qual banda que lança um segundo disco ainda mais poderoso que o primeiro. A mim, só resta agradecer, cantar as músicas da trilha sonora junto e ver os personagens repetindo coisas que falei ou pensei e me espantar que o abismo entre a minha vida e a vida deles é na verdade apenas uma brecha (bróder, aquela conversa sobre service me arrepiou, parece que foi extraída de algo que já conversei na barbearia). Que a gente consiga passar um tempo vivendo dessa forma.

Luther: The Fallen Sun, 2023.

“The tragedy is that you are a better man than you ever allowed yourself to be”. O que aconteceu conosco, John Luther? Olhei aqui, a primeira temporada é de um longínquo 2010. O mercado de séries para TV era diferente (pra tu teres ideia, House Of Cards do Netflix começa em 2013). Eu era apenas mais um moleque baixando rips em 720p de shows britânicos em um tracker de bittorrent dedicado a esse tipo de conteúdo e assistindo em um monitor CRT. Já Luther, ainda vivia uma vida completa, naquela primeira temporada perfeita. Desde então, tudo mudou, pra ele, pra mim, pra todos nós. Semana passada estava no tram, passando pela Coolsingel em Rotterdam e não tive como não notar um enorme banner de uns cinco metros, tomando toda a lateral de um prédio. Apenas um retrato do torso de Idris Elba e as letras em vermelho na fonte de Luther. Wotcha. Olhando lá de cima pra mim, com aquela expressão de vida difícil, camarada. Tem sido uma aventura, né broder, quando comecei a te assistir, nem sabia o que era um inverno, um casamento, ou até mesmo uma carreira. Hoje em dia uso casacos pesados como os de Luther, caminhei pelas mesmas ruas e pontes que ele e Alice Morgan costumavam andar e vivo em uma cidade que também é castigada por um inverno infinito. Nas trincheiras do dia-a-dia, os anos se passaram e tudo que sobra é tudo que importa. Esse filme (que é produção do Netflix, ironia não necessária) é como uma visita a um amigo que envelhece junto contigo, mas de forma fatalmente diferente. Pra mim, Luther terminou ali naquela primeira temporada (todavia, aceitável incluir o bom livro-prequel que Neil Cross escreveu, The Calling, uma leitura muito dureza), mas tudo bem que de vez em quando a gente se encontra, pra ver que ainda usamos os mesmos tipos de roupas, temos o mesmo coração sofrido e que assim como o tempo me tratou como devia, tratou Luther também. Solitários, sorumbáticos e assombrados por nós mesmos, viramos um pro outro e perguntamos so, now what?

The Rig, S01.

Essa produção escocesa me apareceu meio que do nada, achei interessante porque não tenho muitas memórias de produções em plataformas de óleo e sempre me interessei pelo tema (lembrando aqui do gibi The Massive, que tem bons momentos em plataformas) e claro: escoceses. De vez em quando o cara tem que ouvir esse sotaque, que faz tudo parecer mais sério E engraçado do que se parece ao mesmo tempo. A série se desenrola como uma treta apocalíptica que, caso tomasse lugar em uma nave espacial, encaixaria perfeitamente sem tirar nem por. Curioso como sci-fi pode acontecer muito mais perto do que se imagina. Grande crédito ao ritmo dos episódios, que controla a narrativa de forma deliciosa, mantendo os personagens complexos e encantadores conforme a temporada vai avançando. Li em algum lugar que um dos problemas com produções hoje em dia é a necessidade imediata que personagens tem em se explicar a todo momento. Não é um dos problemas de The Rig. O ambiente isolado ajuda muito também, há um excelente trabalho de VFX acontecendo em várias cenas de forma sutil. Coisa linda de se ver. No final da temporada, fica a sensação de que em uma linha do tempo longa o suficiente, toda a experiência humana nesse planeta não dura quase nem um minuto. E tudo bem.

Love Death + Robots, S01.

Teve uma época, ali depois da faculdade e antes do Youtube, em que garimpar e assistir os curtas de conclusão de curso da Supinfocom era um hobby entre eu e amigos. Dezenas e trampos lindos, complexos, que não só mostravam o estado atual da animação, como experimentavam sem limites. Era um bom hábito. Demorei pra entrar em Love Death + Robots, as temporadas foram de acumulando, alguns clientes jurando que eu estava perdendo algo massa. Por algum motivo, esteve fora dos meus interesses por um tempão. Recentemente, parece que o tema dos meus dias é descobrir que tudo que eu queria estava bem na minha frente todo esse tempo. O clichê de que the only way out is through em plena ação. Fui assistindo aos episódios da primeira temporada e rindo pra mim mesmo: “quanto tempo faz que não me sinto assim? quer não vejo algo tão bonito? e essas ideias, que sempre me agradaram, estavam ali todo esse tempo?”. O nível técnico é embasbacante, alguns episódios são um esculacho, me atualizando nas capacidades da animação hoje em dia (as fichas técnicas dos eps são uma lista de peso pesados da área). A temática: mortal. Tal como ler um livro e sentir que algumas passagens foram extraídas do teu cérebro e postas em páginas só pra ti, como um reflexo ao invés de uma projeção. O horror e beleza cósmica de se experimentar um espaço de tempo nesse universo doidera.

The Rehearsal, S01E01-05.

“I often feel envious of others. The way they can immerse themselves in a world with so little effort. The way they can just believe.” narra Nathan em um dos episódios de The Rehearsal. Há uma conexão direta dessa série com o series finale de Nathan For You, que foi um lance de mais de uma hora em que Nathan basicamente apresentou o método criativo que ele agora chama de Rehearsal. O fator cringe diminui, a curiosidade por sentimentos e emoções começou a tomar lugar das preocupações de um show de comédia. É como se não fosse mais pela sketch, mas sim pela fascinação com o que poderia acontecer se algumas situações da vida pudessem ser planejadas, avaliadas, repetidas, alteradas e roteirizadas à gosto. Um Synecdoche, New York bruto em tempo real. As linhas entre realidade e ficção começam a interseccionar, aparentemente de forma orgânica – ou talvez essa incerteza seja o coração de the Rehearsal. Seja como for, Nathan Fielder encontrou algo único pra si. Em algum momento deixa de ser sobre o que é real ou não, parece não importar muito, pois criar algo assim é como viajar no tempo. Não tem trampo muito melhor do que esse.

Black Bird, S01E01-03.

Tem dias que viram um desastre completo e tu consegues notar cada mudança sutil, que em incrementos te levam à ruína. Black Bird começa com um dia desses para James Keene (Taron Egerton, que demora um pouco pra preencher o espaço do personagem, mas quando engata, vira uma daquelas atuações quase míticas), um dealer de Chicago esperto demais para o próprio bem, que acaba engolindo uns dez anos de prisão. Para comutar sua sentença, uns federais oferecem um acordo do capeta: se realocar para uma prisão infernal no Missouri, onde o serial killer Larry Hall (Paul Walter Hauser, bicho completamente solto, aí sim mítico demais, como se alguém tivesse dito calmamente pra ele “agora sim pai, vai lá e seja doentio como tu quiser, o gol é teu”) se encontra e está prestes a ser solto na real pois nunca acharam algum corpo para colocar na conta dele. Fica a cargo de James extrair a localização de algum dos crimes de Larry. Doidera. Se não tivesse sido verdade (a minissérie é baseada no livro autobiográfico de Keene). Parte o coração ver o Ray Liotta também, que faz o pai ex-policial de Keene (talvez sua última atuação? que triste constatar isso ao assistir essa série “é essa a última vez que verei algo novo do Ray Liotta?”). Aliás, a história toda te parte o coração. Cortesia da direção estoica do belga Michaël R. Roskam (do excelente The Drop – que aliás é um dos últimos trampos do James Gandolfini, que tendência macabra, Roskam), que consegue dar peso à cenas que nós já vimos dezenas de vezes, sem se tratando de dramas e thrillers em prisões. Que nós jamais tenhamos dias tão ruins quanto os de James Keene.

The Bear, S01.

Tive um chefe em Frankfurt que dizia que Barbeiros de sucesso e renome geralmente contraiam uma condição que ele apenas chamava de A Doença. Quanto mais sucesso comercial acontecia e sua capacidade técnica evoluía, pior a pessoa se tornava como companheiro de trabalho ou como chefe. A Doença os tornava antipáticos, combativos, obcecados, narcisistas. Ele sempre fazia um adendo: é bem comum A Doença atacar chefs e cozinheiros também (talvez eles tenham sido os originários da condição toda, pensando aqui). The Bear é sobre A Doença e como ela contamina a vida inteira de quem a contrai, mesmo que intencionalmente. Usando um restaurante familiar em Chicago como centro do universo (curti que demora alguns episódios para se entender como o restaurante é por “fora”, pois tudo acontece na cozinha e nas portas dos fundos), a série se desenrola após o antigo dono cometer suicídio e deixar como herança o restaurante para o seu irmão mais novo, um cozinheiro prodígio que trabalhava como Chef de Cuisine no melhor restaurante do mundo em NYC (uma espécie de French Laundry futurista). Voltar para casa é sempre uma treta, ainda mais em condições como essas. Em uma temporada cheia de episódios engraçados (destaque para Oliver Platt roubando várias cenas), tristes e tensos, a série torna-se sobre luto, nerds de comida, tradições, laços familiares (de sangue ou de vida), sobre como encontrar espaço em comum entre pessoas que parecem não ter nada a ver uma com as outras – e sobre como muitos dos que acabam por adoecer sabem muito bem que estão adoecendo. Mas a cura é parar de fazer justamente a atividade que os define naquele momento. Ao falar sobre a sua experiência em NYC, o protagonista diz que vomitava todos os dias antes de começar um turno, dormia mal, teve o estômago completamente zoado e trabalhava para um sadista inclemente que lhe deixou com PTSD. Mas: era o melhor restaurante do mundo e era ele que comandava a cozinha, encontrando todo dia um novo plateau de excelência. O preço para fazer algo assim como profissão é alto, muitas vezes impossível de se pagar por completo e a conta chega de uma forma ou de outra: ou a mente quebra, ou o corpo. Ou os dois. É uma questão de tempo, apenas. E muita gente, quase todo mundo, não vai entender muito bem o que tu estás fazendo contigo mesmo. O alarme vai tocar mais uma vez e tu vais ter que levantar e começar um turno que sabes que irá consumir alguns porcentos importantes da tua existência. Mas tu não consegues parar. Trabalhar desse jeito é viciante e consome muito mais do que aquelas horas de trabalho. Emocionante, The Bear é uma série que pega o romantismo Bourdainiano sobre cozinhas e esculpe cenas que parecem ser sobre coisas simples, mas que importam muito mais do que parece ser possível.

We Own This City, S01E01-03.

Acho que foi ano passado (os anos da pandemia misturaram-se uns com os outros na minha cabeça) que reassisti The Wire pela terceira vez, ainda sentindo fortemente os efeitos do monumento em forma de série de TV que é a imortal, suprema, incansável e bela The Wire. Sempre pensei, se durante os anos em que ela passava semanalmente, as pessoas que a assistiam tinham noção do que estava acontecendo, que aquilo ali era provavelmente o apogeu do universo de série criminal dentro do formato. Assistindo We Own This City, tenho a resposta: sim, é óbvio que dá pra sacar que algo de especial está acontecendo. Em We Own This City, David Simon retorna à Baltimore, dessa vez usando um livro-reportagem sobre uma treta imensa de corrupção e crime dentro da polícia da cidade como base. Reinaldo Marcus Green dirige os episódios e o cast é uma mistura de amados atores que estiveram em The Wire (e Treme e The Deuce) e outros estreantes que claramente abraçam o material com afinco. Mágica e técnica, realismo e ficção em um equilíbrio possível somente dentro desse mundo que Simon é tão fluente. Não fica muito melhor do que isso.

Slow Horses, S01.

Espião, via de regra, não chega a se aposentar. Ou desaparece, morre em ação ou vira burocrata dentro do governo. Jackson Lamb escolheu/tentou virar um burocrata falido, limitado, chefe de uma divisão horrível do MI5 após evitar morrer como um espião que presenciou os anos pré-muro e pós. Seu departamento não faz nada além de engrossar o caldo da “inteligência” britânica. Gary Oldman infalível deita como Lamb, controlando os episódios com experiência e cadência. A série desenrola-se como uma improvável mistura de The Office e Killing Eve, como se tivesse sido escrito por um Carré que curte George Carlin; entre momentos engraçados, trágicos e tensos, Slow Horses mostra-se como uma série que, assim como Jackson Lamb, talha um espaço próprio para si em um mundo lotado de séries e shows e toda sorte de narrativas. Feito admirável.

The Righteous Gemstones, S02.

Danny McBride como o campeão atual do humor vindo dos EUA: escreve, dirige e atua de forma excelente em The Righteous Gemstones. Essa segunda temporada é um dos ápices de sua carreira, certamente. Tudo funciona, os personagens são deliciosamente complexos, engraçados até o talo (e um pouco menos insuportáveis), as cenas de ação são espetaculares e tem Walton Goggins entregando a performance de uma vida em cada frame. Demorei para dar play nessa temporada e quando vi já tinha atravessado todos os episódios. Os roteiros são metralhadoras de piadas e referências constantes, não deixando o ritmo afrouxar quase nunca. Diferente da primeira temporada, que consegue ter momentos antipáticos que estragam um pouco a diversão, essa segunda encontra um equilíbrio e esmerilha sem perdão. A cena em em que Danny fala “The whole church sucking my wife’s dick” requer reconhecimento como um patrimônio cultural global imediato. Cumpra-se.

Tokyo Vice, S01E01.

Usando as memórias do repórter Jake Adelstein, um broder do Missouri que se tornou o primeiro gaijin a trabalhar num dos maiores (senão o maior na época) jornais do Japão (senão do mundo) como base, Tokyo Vice é basicamente feito para patos como eu: Michael Mann dirige o primeiro episódio, a Tóquio é aquela em plena ressaca pós-bonança dos 80s e tem o Ken Watanabe. Porra, é meio covardia até. Tem uma cena do Jake andando pela imensa redação do jornal que é um pequeno delírio nerd. Tem a presença inescapável de uma Yakuza altamente organizada e ritualística. Jake passa os seus dias estudando japonês e recortando reportagens de jornais, levando uma surra em Aikido, mandando ver num rango de Izakaya e sendo no geral um gaijin em total imersão numa cidade infinita. Bagulho bom.

Winning Time: The Rise Of The Lakers Dynasty, S01E04.

Uma doidera. Tem John C. Reilly em completas chamas ostentando um comb over criminoso, narração em off, quebra de quarta parede, inserts documentais, animação, gráficos pipocando na tela, cenas que parecem filmadas em câmera 8mm, outras em um digital-analógico meio torto, uma tonelada de personagens e atores que parece não terminar (não sabia nada sobre essa série quando comecei a assistir, daí pá Adrien Brody, pá Jason Segel etc). Quando saquei que é produção do Adam McKay, ficou meio óbvio até. Tenho me divertido pra cacete com os episódios dessa série. É um pacote inesgotável de piadas, referências e personagens encantadores. Puro suco de EUA nos 80s. Talvez o efeito seja mais intenso pois não sei muito sobre essas pessoas e esse período do basquete, só meio por cima. Ser jogado no meio das engrenagens daquela época dessa forma é um prazer.

Atlanta, S03E02.

Quando Darius diz que “This city is my Jesus”, sentado na beira de um canal de Amsterdam com um clássico joint holandês aceso, basta balançar a cabeça e concordar. Sempre tive forte respeito por Atlanta, uma série que evolui de forma surpreendente desde a sua primeira temporada. Todavia, sempre senti um desconforto característico, como se o que fosse retratado ali não fosse realmente pra mim. Não pra eu entender e tal. Talvez alguma coisa no senso de humor dos personagens sempre me deixou meio desconfortável. É como estar na roda de amigos e não entender algumas piadas e referências não por ignorância, mas por não saber o que eles querem dizer com aquilo de fato. Talvez seja pra ser assim (tudo bem). Entender é um luxo.

Billions, S05E10.

Tinha deixado episódios de Billions acumular, meio que de propósito (essa série sempre foi divertida demais e ter que esperar entre um episódio e outro quebra o sentimento). Não estava preparado paras as mudanças que acontecem da quinta pra sexta temporada. Personagens vão e vem, alguns entram e ficam. Os episódios começam a ficar esquisitos, de uma forma interessante. Nesse S05E10 tem uma cena de uns cinco minutos sem diálogo em que o Paul Giamatti faz uns ovos mexidos. Uma espécie de homenagem à Big Night. Lá no S06E04 aparecem uns cards ao lado dos personagens, mostrando o quanto eles estão vestindo/usando em seus fits do dia (Wendy obliterando tudo e todos com seu corte de cabelo de 800 doláres). Tem um momento bem Miami Vice em que Axe e Wendy encenam um possível futuro (romantismo descarado fundamental). Pra uma série que já está há mais de meia década no ar, nada mau. Continue esquisita, Billions.

Black Summer, S02.

Certa vez, uma ex me disse algo como “Você não é um niilista intelectual, é um niilista instintivo e, portanto, irrefutável”, ela estava anos-luz de mim nessa afirmação (aliás sempre esteve em tudo). Demorei para entender o que ela queria dizer. Tava assistindo essa segunda temporada de Black Summer, que passou completamente batida pelo meu radar ano passado, mesmo que eu tenha curtido e recomendado demais a primeira temporada. Minha série minimalista de zumbi favorita. Ou: meu tipo de niilismo em forma de série de zumbi minimalista. O sentimento da primeira temporada ainda está aqui: a cena de abertura é um exercício em desgraceira, que te joga em um mundo onde o apocalipse aconteceu há uns seis meses e quem sobrou é tudo zoado da cabeça. Nos últimos dois anos brinquei que a Pandemia Global foi um dos mais entediantes fim do mundo. Mas queria passar longe (ou: não duraria muito) no fim do mundo que Black Summer apresenta. Tudo que funcionou na primeira temporada tá aqui: alguns personagens são os mesmos, algumas situações até parecidas. A série expande em outros pontos importantes (um deles sendo que mesmo com um fuzil automático, um zumbi furioso é um alvo quase impossível, outro sendo que conflitos armados entre pessoas em um mundo onde existem zumbis são um dos mais terríveis momentos do cosmos). O niilismo bruto, galopante e óbvio (irrefutável) de Black Summer é talvez o que me faz mais gostar dessa série. Decisões bad trip são tomadas em quase todos os episódios, numa roleta-russa intensa, triste e inescapável.

Archive 81, S01E03-08.

Salvo alguns momentos menores (culpa do elenco irregular), essa temporada foi muito boa. A progressão da narrativa acabou por me prender, mesmo que não tenha ficado esquisito de verdade. Bem massa esse lance de utilizar vídeo como código-chave para interseccionar dimensões. O tipo de coisa que curto demais. Sou fã da antologia de horror V/H/S, e Archive 81 encaixa bem nessa categoria. É como um spin-off mais sério e menos gore. Se o tempo é um círculo plano, como diria Rust Cohle, os acontecimentos dessa série fazem sentido e se tornam até óbvios. Tudo é uma questão de observação.