The Sopranos, S02.

A primeira temporada te conquista, guiando-te com esmero pelas entranhas do universo desses personagens. A segunda temporada te trata mais de igual para igual. Tu já sabes o que vem por aí. Os diálogos ficam mais carregados, as tensões entrecortam-se em diversos momentos. É quando tu percebes que essa é uma das maiores séries de TV de todos os tempos, senão a maior. Quando Tony começa a se perguntar, angustiado, qual é o problema que ele tem, que não consegue resolver, tratar ou controlar, a série começa a ficar cada vez mais vertiginosa. Alguns problemas não possuem resolução.

The Sopranos, S01.

Devo ter assistido à essa primeira temporada pelo menos umas quatro vezes. Talvez mais. Consigo lembrar dos episódios com certa clareza, mas toda vez acabo rindo com alguma piada ou referência que deixei passar anteriormente. Livia Soprano continua me estressando demais, crédito total à perfeição que Nancy Marchand dá ao personagem. Acho que teve uma época que eu, de propósito, não prestava muito atenção às cenas dela porque me dava um troço no coração bicho, difícil demais. Muito estresse. Mas nada como envelhecer. Ainda me dá uma ansiedade do caralho, mas é de certa forma fascinante. Os episódios passam rápido, deixando aparente as intenções da série. Coisa de gente grande, fazer TV dessa forma, ainda mais em 1999. Quando moleque, achava massa o Tony ali, daquele jeito todo grosseiro e engraçado. Nos meus vinte e poucos anos, tinha ojeriza total à ele. Um personagem que significava e agia como tudo que eu não queria ser. Agora nos meus trinta e poucos, acho que entendo as coisas diferente de novo. A incompletude de Tony é a coisa mais aparente. E esse sentimento permeia meio que todos os outros personagens também. O tema central dessa primeira temporada parece ser justamente isso, o que nos falta.

The Newsroom, S03.

A terceira e última temporada de The Newsroom tem só seis episódios. Eu não lembrava de nenhum. Os primeiros cinco são bem fracos, quase protocolares. Isso tem que acontecer, para que aquilo possa acontecer. Sorkin em piloto automático total. Aí no último episódio, o series finale, ele empurra todas as fichas pro centro da mesa: em uma hora, mostra todas a suas cartas para o que seriam provavelmente umas seis temporadas ao menos. O episódio voa, finalmente trazendo o fan service que faltava nos episódios anteriores e mostrando Sorkin emocional e melancólico, todavia de forma benevolente. Quando toca That’s How I Got To Memphis (que eu tenho usado como pequeno hino pessoal desde que ouvi a versão de Charley Crockett), o coração do cara já não aguenta mais. Um bonito, apesar de incompleto, adeus à uma série que poderia ter sido tão diferente. Sorkin meio que abandonou a TV depois de The Newsroom e hoje em dia é um diretor de cinema. Algumas coisas tem que acontecer, para que outras coisas possam acontecer.

Squid Game, S01.

Dia desses no Instagram, o Rafael Grampá tava postando sobre como é muito mais fácil ficar criando obras em cima de algo que já foi um sucesso. Que a repetição de temas narrativos e visuais, forçada ou em forma de “homenagem”, é um dos grandes motores da indústria criativa hoje em dia. Talvez sempre foi. Os ciclos podem ser curtos ou longos (ver: westerns pós-guerra, filmes de super herói da última década), mas sempre acabam sendo muito parecidos. Pegam o que deu certo e montam em cima. Alguns criadores deram reply ao Grampá, incluindo frases como “sempre quis criar algo novo, mas acabei refazendo sucessos do início da minha carreira pois vende mais”. Squid Game não apresenta nada muito novo para quem comeu Battle Royale e Suicide Club quando moleque – e muito menos pra quem consumiu Hunger Games, quando a série de livros e filmes era a Maior Coisa Da Terra. O ponto mais interessante pra mim, é o uso de dívidas financeiras como denominador comum de gente ruim, incapaz, parasitas de uma sociedade onde todo mundo é endividado, mas os piores são os que não querem pagar suas dívidas. Nada pior do que um endividado que resolve fazer mais dívidas. Pelo meu conhecimento (superficial) das dinâmicas sociais da Coreia do Sul, faz sentido esse terror em ser visto como um dos falidos (apesar de uma cena bem interessante mostrar que todo mundo tá falido de uma forma ou de outra, mesmo quem tem as aparências que apontam em outra direção). De resto, o jogo de vidas humanas de sempre. Doideira ser lugar-comum obras criativas com jogos que envolvem vidas humanas. Esteticamente, um puta exercício de disciplina e montagem dos Coreanos. Todavia, um fraco argumento contra os 1% ou a favor dos 99%. Lembro daquele clichê-frase sobre xadrez, que no final do jogo o rei e os peões vão todos pra mesma caixa.

The Newsroom, S02.

Uma bagunça. Diversas linhas narrativas iniciadas na primeira temporada simplesmente somem, alguns personagens também (pra mim, perder as cenas do Will no psiquiatra jovem foi vacilo). Até mesmo os créditos são diferentes. Lembro que Sorkin teve muitos problemas com a recepção mais ou menos da primeira temporada, e dá pra sentir que ele parou de pensar em arcos de várias temporadas. Começou a pensar somente no que tinha ali na frente dele. A parte mais interessante pra mim, a dinâmica absurda e feroz que se precisa para produzir uma hora de TV ao vivo por dia, é jogada pra segundo plano por grande parte da temporada. Talvez, na intenção de ter menos Sorkismos possíveis, o que restou foi o que virou a segunda temporada. Ainda gosto, apesar de ser bem menos romântica que a primeira.

The Newsroom, S01.

Dia desses li um post, de uma dessas contas de instagram que fazem posts de texto explicando alguns conceitos psiquiátricos de forma cute, que um dos efeitos de estar operando além da própria capacidade mental é resistir experimentar coisas novas. Como se o cérebro estivesse carregado até o limite. Faz um tempo que comecei, quase instintivamente a assistir de novo algumas coisas. The Wire. True Detective. Filmes do Kar Wai. Não foi muito planejado, mas continuou acontecendo. E continua acontecendo.

Terminei a primeira temporada de The Newsroom esses dias. Virei um tio que reassiste infinitamente as mesmas obras, mesmo que elas não sejam tão boas assim. Comfort food mental on demand. Quando The Newsroom começou, eu imediatamente curti. Todos os Sorkismos do mundo em uma série só, usando um caminhão de dinheiro da HBO e finalmente um Sorkin livre pra fazer o que quiser, escrever como achava que deveria ser. Claro que não deu muito certo, pois ele decidiu reescrever a realidade como um todo, num arroubo de autoconfiança invejável. Mas fora o que não deu certo, ainda há uma série que é romântica até o osso. Seja em relação ao Jornalismo com J maíusculo, seja com relações interpessoais. Personagens, que apesar de aparentemente serem apenas versões de uma mesma pessoa, causam em mim um sentimento familiar de pertencimento. Mesmo que eu nunca tenha pertencido à algo como o ambiente da série. Nostalgia por um passado inventado. Por querer estar ali, mesmo sem nem saber o que ali realmente seja.

Mr Inbetween, S01.

Fazia tempo que eu não ria com um personagem lacônico desse jeito. Em algum lugar de New South Wales, Ray é um capanga faz-tudo para um criminoso não muito importante em alguma cidade não muito grande. Os episódios voam, misturando violência e humor quase na mesma dose. O mérito maior é mesmo para Scott Ryan, que faz o papel de Ray. Dono de um timing insuperável, episódio após episódio não tem como não simpatizar com as agruras que ele passa, mesmo que elas sejam causadas por ele mesmo. Ótima série, que passou batida pelo meu radar, mas graças à uma dica direta de down under (valeu D!), corrigi essa falha. Tu meio que devias fazer o mesmo, vai por mim.

Nine Perfect Strangers, S01E01-05.

Sempre tive medo de hippies. Em Nine Perfect Strangers, meus medos meio que se justificam. A mistura de xamanismo oportuno, busca de autoconhecimento como a solução final para a tristeza e problemas da vida, yoga, bioenergia e mais um monte de coisas que custam caro em spas é bem assustadora. Porque beira um culto. E mesmo que seja em busca de algo maior/melhor, ainda há de se pagar a salgada conta. Tirando essa minha birra, boa série (não li o livro em que se baseia mas estou curioso agora). Kidman e boa parte do cast em chamas, mastigando o roteiro com fúria e os episódios se desenrolam sem muitos momentos menores. É uma espécie de House on The Haunted Hill da wellness. Diversão pura, às vezes.

Vigil, S01E01-03.

BBC One, a mesma produtora que fez Line Of Duty e Bodyguard. Submarinos atômicos e homicídio. Cast impecável. O único ponto ruim de Vigil até agora é que tão soltando um episódio por semana (e como sempre no UK, serão apenas seis no total). Dos nichos que curto, “treta em submarino nuclear” é definitivamente um dos meus favoritos, mesmo que passe anos e anos sem sair nada novo usando esse tipo de cenário. Vigil tem ainda três episódios mais, tudo bem. Feliz que aconteceu, não porque acabou etc

ZeroZeroZero, S01.

Uma série que junta Roberto Saviano com Stefano Sollima e um caminhão de dinheiro da Amazon. Esteticamente impecável, monta uma narrativa transcontinental de forma eficiente, mesmo que com alguns momentos menores. Abre muito espaço para se observar em detalhes as diversas camadas de um dos tipos de negócios mais importantes hoje em dia. As cenas em Dakar para sempre me atordoarão. Um sonho de de desaparecer no deserto.

Dealer, S01.

Sempre vou ser pato pra esse tipo de série minimalista, inovadora e que pega umas ideias meio YouTube e empurra até o limite do orçamento (ver também: High Maintenance, Black Summer, Dead Set, Calls etc). Dealer é uma belezinha singular. Demora algumas cenas pra engatar as marchas, mas daí é só sucesso. Ótimos atores, uma meia dúzia de cenas que te deixam com o coração na mão e claro, a língua francesa em sua mais ríspida sonoridade gangsta. *chef’s kiss*. Me lembra demais certa vez que subi o morro errado e um corre de dez minutos demorou duas horas e meia.

Painting With John, S01E01.

Em tempos de confinamento, solidão, tempo infinito e paciência, assistir a esse Painting With John foi como receber um desconhecido em casa e ver que em 30 segundos ele virou teu amigo. O título do episódio é Bob Ross Was Wrong e tu já sabes como vai ser o tom. Vinte minutos passam voando enquanto John pinta e fala contigo. Em tempos doloridos, quase qualquer companhia cura.

High Fidelity, S01.

Assisti o filme de High Fidelity mais vezes do que gosto de admitir. Acho que a primeira vez foi em 2001. Tinha 14 anos. Fui ler o livro só muitos anos depois (mais fácil piratear filme). Naquela época, mesmo entendendo muito menos de mundo do que hoje, já dava pra saber que aquilo tudo retratado ali era algo em extinção, por mais que eu quisesse que não fosse.

Lojas imensas de discos, caras que tem um emprego part-time, moram em apartamentos espaçosos em capitais, gastam suas noites descobrindo novas bandas pelos bares da cidade.

Velho, pra um moleque em Castanhal no Pará, aquilo tudo era ficção científica. Mesmo aos 14 anos sem nem ainda ter tido um coração partido – ou um top discos favoritos. Contudo, o desejo de ter broders que fazem listas aleatórias contigo todos os dias, que zoam tuas referências, completam com outras e ainda conseguem ser engraçados no processo: esse lance sim eu achei que seria possível de alcançar. E meio que foi, em alguns momentos da minha adolescência tardia.

Uma releitura do livro, ali por 2009, mostrou que era hora de largar um pouco aquele osso. Rob é um fraco, o filme/livro são horríveis no jeito que tratam alguns personagens e as referências musicais zeraram muito mais rápido do que imaginei. Arquivei o filme e o livro junto com aquele DVD, que imita uma caixa de sabonete, do Fight Club.

Ainda faço listas, ainda curto uma proseada pegada na prepotência de quem sabe demais sobre edições de discos e tal. Essas coisas ficaram em mim, pro bem e pro mal. Mas o resto da obra foi embora. Li outros livros do Hornby, curti alguns. Envelhecemos.

A série do Hulu é meio doidera. Primeiro porque existe. Segundo porque passa um pano em vários pontos fracos do filme/livro. Só que, se High Fidelity já não crível em 2000, em 2020 é tão realista quanto um anime. Mas daqueles slice of life bem específicos e encantadores, manja. Ainda tem um tutano massa ali. Piadas boas, alguns atores dançando muito em cima do material. A música é boa, rola um update brutal em várias referências. Funciona bem, apesar de tudo.

E aí cancelaram a série, claro.

Talvez a próxima encarnação de High Fidelity seja melhor ainda. Mesmo que eu não consiga mais assistir o filme ou ler o livro, pelo menos sei que tem essa série para garantir uma eventual reassistida massa. Pra me consolar um pouco em tempos de coração partido. Se a Rob da série pode ser melhor do que o Rob do filme, deve ter alguma chance pra mim, também.

The Eddy, S01.

Algumas cenas dessa série conseguem materializar o sentimento de ser um expatriado em uma capital europeia. Tudo é bom, tudo é confuso. Todo mundo se entende em francês, inglês, polonês, árabe, jazz. As coisas seguem em frente, impreterivelmente. Fica a teu cargo decidir seguir ou não. Outras cenas dessa série quebram teu coração. Amira, Jude, Farid, Katarina. Baita personagens. Em certo momento o protagonista, Elliot (André Holland, irritavelmente perfeito) diz que ele primeiro acostumou a deixar a si mesmo para trás. Daí, se acostumou a deixar outras pessoas para trás também. The Eddy é sobre várias coisas, mas talvez a mais importante para mim seja essa: o que deixamos faz tanta parte da gente quanto o que decidimos levar adiante.

Too Old To Die Young, S01E01-04.

Tenho assistido a série do Nicolas Winding Refn com o Ed Brubaker pra Amazon, chamada Too Old To Die Young.

O silêncio como personagem. A violência americana nossa de cada dia.

Um diretor dinamarquês, bastião da ultra-violência estilizada contemporânea e um roteirista condecorado norte-americano, artesão de diálogos e tramas impossíveis, com pelo menos uma dezena de títulos publicados que já são clássicos.

E um caminhão de dinheiro da Amazon.

parece que os dois pegaram uns dois livros do McCarthy, outros do Chandler, uns filmes do Mann e Wenders, umas hqs do Ennis e passaram pelo filtro do Pizzolatto (que aliás deve ter destruído umas três TVs assistindo Too Old To Die Young – na moral, é tudo que a HBO nunca mais vai deixar ele fazer em True Detective).

Há um equilíbrio fundamental entre os dois criadores. Especulo, só por ter crescido lendo Brubaker e assistindo Refn – que Refn tenta mergulhar em momentos artísticos e Brubaker o puxa de volta, mostrando que não há nada muito místico em seres humanos.

É pura polpa de Américas (norte, sul, central).

Dez episódios. Tou no quarto. Cada episódio parece durar umas quatro horas. Os takes são excruciantemente lentos, te obrigam a seguir o ritmo da série, como uma mão repousando fortemente no teu ombro.

SENTA-TE, grita um personagem em espanhol em algum episódio. Senta, presta atenção.

A fotografia é do mestrão Darius Khondji, caminhando seguro entre arte e autoindulgência. Haja pan.

Tu começas a prestar atenção à tua respiração, o tempo distorce um pouco. as cenas se alongam e tu nem percebes que faz 20 minutos que a câmera pouco se mexe.

O som ambiente dos episódios é afogante. Em um episódio que se passa no México, dá vontade de ir fechar as janelas da casa, de tanto som ambiente vazando. Tanto inseto, vento, poeira fazendo barulho.

Ainda tenho vários episódios pra assistir. Em algumas semanas acho que termino.

Não há a galopante pressão que algumas séries dão, de que há grandes eventos a se desenrolarem. É diferente. Parece que o final não importa muito, pois o privilégio está em assistir o intervalo entre um evento da série e outro.

No mundo de Too Old To Die Young, decisões são tomadas sem nenhum alvoroço, mesmo que sejam decisões improvisadas ou inconsequentes. Há um conforto exalado pelos protagonistas.

O mundo é deles. O tempo se move só de acordo com os seus desejos.

Poucos coadjuvantes ou personagens secundários sequer falam na série. Espectadores, mudos, imóveis e subservientes aos protagonistas, que matam, roubam e vivem uma realidade tão brutalmente diferente, que nem precisam reconhecer a sua/nossa existência.

Viajando aqui, talvez essa seja a história das Américas, no fundo. um monte de figurante observando os protagonistas violentos tomarem suas decisões ao seu próprio tempo. O ciclo infindável da violência como entidade reguladora de tudo.

The Strain, S01E01-07.

Tem vezes que a ignorância é uma benção. Não sabia que existia uma trilogia de livros do Del Toro, não sabia que tinha HQs. Apenas baixei o primeiro episódio da série e imediatamente vi que ia curtir. De certa forma desde quando bem moleque jogava Resident Evil e assistia remakes de Invasion of The Body Snatchers, eu comecei a fantasiar com apocalipses, infestações e qualquer coisa que me tirasse da escola e me colocasse na rua para viver ou morrer brigando com monstrengos. The Strain acessa exatamente essas minhas fantasias de moleque, pois é em NY, tem os personagens durões, as escolhas fatais e um mal tão grande que o mundo não vai ser o mesmo depois dele. É uma série totalmente exploitation e isso é bom, bom pra caralho. É preciso bem pouco pra me divertir, na real. Só precisa acabar o mundo.

Hannibal, S01.

No mundo de Hannbial todo mundo se veste impecavelmente, combinando tecidos e tons com harmonia. A casa de todos os personagens é de uma sobriedade clássica, opulenta – todavia autêntica. No mundo de Hannibal, a psicologia a e terapia são armas letais, capazes de alterar mentes e guiar ações com detalhismo surreal. No mundo de Hannibal, todo jantar que ele prepara é uma refeição complexa extraída de um menu estrelado. Por ser uma série que segue moldes clássicos de Série De Crime, há claras limitações e incontáveis malabarismos de narrativa. Ignorando um pouco isso, é uma ótima série. Possui um universo próprio, o que já é um ótimo diferencial. E Hannibal é fatal. Mads Mikkelsen parece ter nascido pra esse papel, pra usar aquelas gravatas, cozinhar ao som de Handel e falar daquele jeito metafórico fatal. É como um bom filme de horror: tu até sabes para onde ele vai te levar, mas não por isso que a o caminho até lá não vai ser interessante.

Top Of The Lake, S01.

Ah bicho, que série. Que série (repetir por mais uma dúzia de vezes: que série). Ignorei por tempo demais as diversas recomendações que pipocaram sobre Top Of The Lake. Total e completa obliteração em cada episódio, seja pelatrama conduzida sem perdão, seja pelo cenário totalmente psicodélico que é região da Nova Zelândia onde a série se passa (fica gravado na cabeça: as cenas em Paradise, no lago, na subida para Laketop). Tem umas séries que buscam ser duronas a qualquer custo, mas no final todas vão acabar devendo para Top Of The Lake, que nem tem essa intenção, aliás. É apenas o jeito que saiu, ao que parece. Brutal.

Breaking Bad, Finale.

Não creio que seja uma das séries Top 5 de todos os tempos – e talvez nem precise ser. Mas é uma série corajosa. Transformou meth em algo pop, utilizou o plot inicial para construir sólidos arcos em cinco temporadas – e no final conseguiu destruir tudo e todos. Esse é o legado de Breaking Bad para mim: tu podes fazer tudo que quiseres, mas esteja pronto para levar algumas balas. E muita gente vai se machucar. Ganhou lugar cativo no imaginário pop deste novo século (como esquecer o eterno Tuco, a participação de Danny Trejo, o Cartel, Gus, Saul e tantos outros bons personagens e situações doidera?) e fez do seu último episódio algo definitivo mas não fatal, como todo bom faroeste deve ser. Quando uma série te faz sentir falta dela, não importa muito o resto: ela fez o que tinha que ser feito.

Luther, S03E02.

Desde a primeira temporada, um delírio wagneriano em forma de série policial britânica, acompanhar Luther tem sido complicado. Tudo começou, e terminou, de um jeito tão destruidor na primeira temporada. Acompanhar os dias do detetive John Luther depois disso é nada menos do que sadismo. Mas mesmo assim continuo assistindo. Por mais que já tenha acontecido um final, eu quero que ele não seja definitivo. Luther e eu não queremos isso.