Lake Mungo, 2008.

A primeira vez que assisti Lake Mungo, nem sabia o que tava fazendo (ainda bem). Dia desses assisti ao crocante blu ray e acabou por ser outro filme, quase. Perdeu a aura de filme para TV e revelou um filme que claramente estava anos à frente dos seus pares. É como um Blair Witch que envelheceu muito bem. O diretor nunca mais fez outro filme, alimentando fortemente a aura de lenda urbana que Lake Mungo parece/deveria ter.

Man Push Cart, 2005.

Na sincera, achei que era um documentário quando comecei a assistir. E digo isso como elogio, pois foi somente depois de um tempo que saquei que era ficção. Um fime triste para cacete, que ressoou de forma brutal comigo. Uma dureza de vida, de filme, de tudo. O tipo de filme difícil de recomendar, mas que fica marcado não só pela impressionante capacidade técnica, mas pela sensibilidade fundamental ao narrar uma bad trip incomensurável.

First Reformed, 2017.

Belo filme, com mão firme no minimalismo estético sem cair na vibe teatral. Possui uma conexão direta com filmes como Diary Of A Country Priest, do Bresson, e Winter Light, do Bergman. Mas como esses filmes já possuem várias decadas de vida, talvez seja bom ter First Reformed disponível em serviços de streaming hoje em dia. Os temas são os mesmos, a dor também – os tempos é que são diferentes mesmo. Ethan Hawke em seu estado mais bruto, ainda que sensível. Algumas cenas ficam queimadas na minha cabeça. Ser um bicho humano é uma treta infinita. Destaque para a trilha do Lustmord, uma boa surpesa.

No Sudden Move, 2021.

Antes desse filme, Soderbergh havia entregue o ótimo Let Them Talk (obrigado, Steven). A mudança drástica de tema é admirável, assim como o impecável trabalho de câmera e cinematografia nesse No Sudden Move. E qualquer filme que coloca o Del Toro em situações como as que ele passou nesse, será bom filme. Que homem. E o resto do elenco é um Avengers Assemble em si. Coisa boa de se assistir.

On the Rocks, 2020.

Quem dera ter um pai como o Murray para me acompanhar em momentos terríveis da vida, me pagando drinques e insistindo em me dar caronas para todo lugar. Bom filme, engraçado sem ser uma comédia. Um drama que usa a “velha” New York como personagem de forma muito eficiente, sem pesar a mão no romantismo por tempos idos. Ah, a cidade que nunca morei, mas que parece ser casa.

The Sparks Brothers, 2021.

Uma metralhadora apontada para o formato “documentário músical”, que usa a história dos Sparks para descer o dedo em tudo que eu e você já vimos diversas vezes em docs tipo esse. Irresistível, empolgante, denso, bem engraçado. Coisa bem de quem curte mais o formato do que o conteúdo, como fizeram várias vezes os próprio irmãos do Sparks. 10/10.

The Only Living Boy in New York, 2017.

Meio inevitável assistir a esse filme inteiro imaginando a Marisa Tomei no lugar da Kate Beckinsale, mas tudo bem. Nada muito novo aqui, além do Jeff Bridges em chamas incandescentes em todas as cenas. Só por isso já vale a assistida “I’m a duke!”. Um bom filme de tardes de domingo. Saudades de ser um jovem granado.

Motherless Brooklyn, 2019.

Fadado a ser eternamente fascinado por filmes (neo) noir, demorou alguns minutos para eu curtir esse Motherless Brooklyn, dirigido e escrito pelo próprio Norton. De certa forma, é um filme sobre tentar lutar em umas categorias de peso acima da sua. Entendo. Destaque para um dos melhores Miles já registrados em um filme e para o eterno Alec Baldwin, que me fez ter simpatia por tiranos (mas não muita).

Nocturnal Animals, 2016.

Apesar de ser grande fã do primeiro filme do Ford, A Single Man (todo ano uma reassistida) deixei o Nocturnal Animals por anos ali no hd. Tentei começar, nem passava dos créditos. Talvez por receio de ser menor, talvez por querer ter algo que sei que iria me transtornar, só pelo prazer de ter algo intocado guardado. Uma ferramenta que se reserva para um uso específico. O tempo foi passando e parecia que não ia conseguir assistir esse filme. Felizmente em uma noite insone, olhei pro arquivo, o arquivo pra mim e o play foi dado. Um filme brutal, lindo e importante pra mim. Que você tenha o Michael Shannon ao teu lado quando fores caminhar pelo inferno.

One Night in Miami, 2020.

Tem algo de mágico em ver um ator encarnar o Ali da forma que acontece nesse filme, é como uma enorme injeção B12. Inevitável olhar pra mim mesmo no espelho e exclamar não tem latino mais bonito que eu puta que pariu. O mesmo acontece com Sam Cooke, que apenas sorri, faz milhões e aceita com dignidade ser reduzido a mais um cantor. Bom filme, de estética irrepreensível, atores sedimentados em seus papéis e ritmo que fica entre treta e glória o tempo todo.