Reckless: Destroy All Monsters, 2021.

No final desse livro de Reckless, Brubaker escreve no Afterword sobre assistir Diner quando adolescente e sentir inveja dos personagens do filme, que se conhecem a vida toda, e como ele sabia que não teria o mesmo. Aí um cara como eu fica triste e quer abraçar o Brubaker, porque senti a mesma coisa. Não com Diner, mas com os livros de Reckless que ele, Sean e Jake vem soltando (resenhas aqui e aqui) de forma meio intensa no último ano. Dos três livros até agora, esse é o mais emocional. Explora a amizade e companheirismo dos dois personagens centrais, enquanto entrega uma clássica história de detetive do Brubaker. Uma lindeza de livro. Uma vida excelente.

Crossover, #01-08.

No universo de Promethea, que é capaz de ser o mesmo universo que o meu e o teu, histórias, mitos e lendas possuem sua própria dimensão, que pode ou não interseccionar com o nossa. O Imaterial, como é chamada, é um reino vasto, que vai além do que podemos vivenciar em carne e osso. E que vai além do que os mitos e lendas podem experimentar por si só. Talvez usando essa conexão, Danny Cates escreve Crossover como um enorme what if uma dessas dimensões, no caso a Imaterial, começasse a invadir a nossa dimensão. Para quem está lendo, é diversão pura. As edições passam voando, o universo da HQ é de uma nerdice contemporânea recheada até o talo de bons momentos, equilibrando meta com a boa e velha narrativa de herói. É meio que um trampo de um nerd para outros nerd, com tudo de bom e ruim que isso significa. No caso específico de Crossover, em uma era de super-exploração de IPs em todos os setores da indústria, há um romantismo inescapável, irresistível. Uma das melhores HQs do ano, certamente.

Regression, #01-15.

Continuando minhas andanças pela obras de Cullen Bunn, li Regression, uma treta reincarnatória que expande o universo de Bunn além do horror, com resultados esteticamente interessantes (mesmo que em alguns momentos meu cérebro não soubesse interpretar o movimento que Danny Luckert sugere em suas páginas – um baita artista em momentos não-dinâmicos, mas confuso em outros) e narrativa interessante até o seu “terceiro ato”. Não sei, talvez eu esteja mimado demais com os bons anos de Gideon Falls e minhas leituras recentes de Promethea, mas se tu vais montar um lance transcedental, monta um lance bem transcendental, broder. Boa leitura, mas somente para completistas da obra de Bunn.

The Sopranos, S02.

A primeira temporada te conquista, guiando-te com esmero pelas entranhas do universo desses personagens. A segunda temporada te trata mais de igual para igual. Tu já sabes o que vem por aí. Os diálogos ficam mais carregados, as tensões entrecortam-se em diversos momentos. É quando tu percebes que essa é uma das maiores séries de TV de todos os tempos, senão a maior. Quando Tony começa a se perguntar, angustiado, qual é o problema que ele tem, que não consegue resolver, tratar ou controlar, a série começa a ficar cada vez mais vertiginosa. Alguns problemas não possuem resolução.

Pilori – À Nos Morts, 2020.

Já faz uma cota que vale acompanhar o que os franceses tem produzindo na categoria música extrema. À Nos Morts tem vinte e três minutos de excelente destruição em forma de tags como powerviolence, blackened crust e chaotic hardcore. Mas no fundo mesmo, é só um disco quase perfeito do metal nosso de cada dia. :: https://pilori.bandcamp.com/album/nos-morts

The Sopranos, S01.

Devo ter assistido à essa primeira temporada pelo menos umas quatro vezes. Talvez mais. Consigo lembrar dos episódios com certa clareza, mas toda vez acabo rindo com alguma piada ou referência que deixei passar anteriormente. Livia Soprano continua me estressando demais, crédito total à perfeição que Nancy Marchand dá ao personagem. Acho que teve uma época que eu, de propósito, não prestava muito atenção às cenas dela porque me dava um troço no coração bicho, difícil demais. Muito estresse. Mas nada como envelhecer. Ainda me dá uma ansiedade do caralho, mas é de certa forma fascinante. Os episódios passam rápido, deixando aparente as intenções da série. Coisa de gente grande, fazer TV dessa forma, ainda mais em 1999. Quando moleque, achava massa o Tony ali, daquele jeito todo grosseiro e engraçado. Nos meus vinte e poucos anos, tinha ojeriza total à ele. Um personagem que significava e agia como tudo que eu não queria ser. Agora nos meus trinta e poucos, acho que entendo as coisas diferente de novo. A incompletude de Tony é a coisa mais aparente. E esse sentimento permeia meio que todos os outros personagens também. O tema central dessa primeira temporada parece ser justamente isso, o que nos falta.

Atmosphere – WORD?, 2021.

I been complaining just a little too often
I should be thankful for these limited options
I got a full belly and something to cough on
Somebody tell me what the fuck is my problem?

Como gosto do Slug véio. Desde 2018 ele parece ter removido alguns filtros de si mesmo (tarefa invejável para um cara que já tinha poucos filtros desde sempre) e despejando canções após canções com um candor que primeiro te abraça, para logo depois fazer espaço para que tu também tente acessar esse mesmo tipo de sentimento. Coisa de mestre :: https://atmosphere.bandcamp.com/album/word

Promethea, #01-11.

Meio que do nada, resolvi começar a (re)ler Promethea, que tenho na minha coleção há uns anos. A primeira vez que li algumas edições de Promethea foi na finada revista Marvel Max, que era publicada pela Panini no Brasil. Naquela época, me interessava mais Alias, Supreme Power e um monte de coisa “adulta” que a revista trazia. Lia Promethea mais por protocolo.

Mas agora… broder que porra é essa. Esculacho atrás do outro. Páginas duplas infinitas, roteiro totalmente sem freio do Moore, como se ele tivesse guardando tudo aquilo justamente para uma série como essa. J.H. Williams III desenhando como se não houvesse amanhã. Um 1999 que nunca existiu, mas que ao mesmo tempo continua futurista e retrô.

Tenho indo dormir tarde só por causa do gás que ler Promethea me deu. A página acima é da #5, e é só uma das diversas páginas duplas onde Moore e Williams resolvem viajar pesado – ou: como utilizar HQs para escrever sobre os diversos planos existenciais assim, de leve. As edições são deliciosamente ambiciosas, mas nunca inacessíveis. Há um equilíbrio (editorial talvez, autoimposto talvez) que mantém o cabecismo verborrágico de Moore sob controle. É como se ele tivesse operando umas marchas a menos do que poderia, mas por escolha.

The Newsroom, S03.

A terceira e última temporada de The Newsroom tem só seis episódios. Eu não lembrava de nenhum. Os primeiros cinco são bem fracos, quase protocolares. Isso tem que acontecer, para que aquilo possa acontecer. Sorkin em piloto automático total. Aí no último episódio, o series finale, ele empurra todas as fichas pro centro da mesa: em uma hora, mostra todas a suas cartas para o que seriam provavelmente umas seis temporadas ao menos. O episódio voa, finalmente trazendo o fan service que faltava nos episódios anteriores e mostrando Sorkin emocional e melancólico, todavia de forma benevolente. Quando toca That’s How I Got To Memphis (que eu tenho usado como pequeno hino pessoal desde que ouvi a versão de Charley Crockett), o coração do cara já não aguenta mais. Um bonito, apesar de incompleto, adeus à uma série que poderia ter sido tão diferente. Sorkin meio que abandonou a TV depois de The Newsroom e hoje em dia é um diretor de cinema. Algumas coisas tem que acontecer, para que outras coisas possam acontecer.

Squid Game, S01.

Dia desses no Instagram, o Rafael Grampá tava postando sobre como é muito mais fácil ficar criando obras em cima de algo que já foi um sucesso. Que a repetição de temas narrativos e visuais, forçada ou em forma de “homenagem”, é um dos grandes motores da indústria criativa hoje em dia. Talvez sempre foi. Os ciclos podem ser curtos ou longos (ver: westerns pós-guerra, filmes de super herói da última década), mas sempre acabam sendo muito parecidos. Pegam o que deu certo e montam em cima. Alguns criadores deram reply ao Grampá, incluindo frases como “sempre quis criar algo novo, mas acabei refazendo sucessos do início da minha carreira pois vende mais”. Squid Game não apresenta nada muito novo para quem comeu Battle Royale e Suicide Club quando moleque – e muito menos pra quem consumiu Hunger Games, quando a série de livros e filmes era a Maior Coisa Da Terra. O ponto mais interessante pra mim, é o uso de dívidas financeiras como denominador comum de gente ruim, incapaz, parasitas de uma sociedade onde todo mundo é endividado, mas os piores são os que não querem pagar suas dívidas. Nada pior do que um endividado que resolve fazer mais dívidas. Pelo meu conhecimento (superficial) das dinâmicas sociais da Coreia do Sul, faz sentido esse terror em ser visto como um dos falidos (apesar de uma cena bem interessante mostrar que todo mundo tá falido de uma forma ou de outra, mesmo quem tem as aparências que apontam em outra direção). De resto, o jogo de vidas humanas de sempre. Doideira ser lugar-comum obras criativas com jogos que envolvem vidas humanas. Esteticamente, um puta exercício de disciplina e montagem dos Coreanos. Todavia, um fraco argumento contra os 1% ou a favor dos 99%. Lembro daquele clichê-frase sobre xadrez, que no final do jogo o rei e os peões vão todos pra mesma caixa.

The Card Counter, 2021.

“The days move along with regularity, over and over, one day indistinguishable from the next”. A vida de mais um cara extremamente solitário e penitente, sob os olhos de Schrader, um mestre. Trilha sonora de metade do BRMC, cinematografia minimalista e crocante. Os dias infinitos de um broder que vive de uma forma deliberada, utilizando de forma discreta um talento que desenvolveu após ter ido longe demais com seus talentos anteriores. Oscar Isaac é um avatar perfeito para esse tipo de personagem que Schrader escreve e filma tão bem. Sua narração é quase monótona, apresentando fatos e observações em um tom reto de sem muita modulações. Talvez seja só eu, mas no momento em que me encontro, o misto de vida monasterial, meditação, disciplina, autoanálise e restrições sociais que Schrader trabalha em seus personagens é como uma sessão de terapia em forma de filme. Por um espaço de tempo, nossas solidões se encontram.

The Newsroom, S02.

Uma bagunça. Diversas linhas narrativas iniciadas na primeira temporada simplesmente somem, alguns personagens também (pra mim, perder as cenas do Will no psiquiatra jovem foi vacilo). Até mesmo os créditos são diferentes. Lembro que Sorkin teve muitos problemas com a recepção mais ou menos da primeira temporada, e dá pra sentir que ele parou de pensar em arcos de várias temporadas. Começou a pensar somente no que tinha ali na frente dele. A parte mais interessante pra mim, a dinâmica absurda e feroz que se precisa para produzir uma hora de TV ao vivo por dia, é jogada pra segundo plano por grande parte da temporada. Talvez, na intenção de ter menos Sorkismos possíveis, o que restou foi o que virou a segunda temporada. Ainda gosto, apesar de ser bem menos romântica que a primeira.

Shorta AKA Enforcement, 2020.

Sempre tem uma treta acontecendo em algum lugar. Dessa vez é em algum lugar da Dinamarca. Um dia bem ruim na vida de de dois policiais em um subúrbio em chamas. A história é sempre a mesma, mas há um bom pulso forte nesse filme. No final das contas, os papéis sempre meio que são os mesmos, não importa muito a posição geográfica.

Dune, 2021.

Fear is the little death. Um filme gigantesco. Que sem perdão, deposita toda a sua escala no espectador. Pesado, melancólico, estupidamente bonito. Pensei um pouco em The Green Knight, quando o filme terminou. Pensei também que tarefa absurda tentar contar uma história visualmente expansiva, com cenas que parecem que de cinco em cinco minuto querem te soterrar. A trilha sonora é um metal pesado, pressionando as imagens como uma bateria colossal. Acho que já vivi algo parecido, mas não tenho certeza se foi com um filme.

The Newsroom, S01.

Dia desses li um post, de uma dessas contas de instagram que fazem posts de texto explicando alguns conceitos psiquiátricos de forma cute, que um dos efeitos de estar operando além da própria capacidade mental é resistir experimentar coisas novas. Como se o cérebro estivesse carregado até o limite. Faz um tempo que comecei, quase instintivamente a assistir de novo algumas coisas. The Wire. True Detective. Filmes do Kar Wai. Não foi muito planejado, mas continuou acontecendo. E continua acontecendo.

Terminei a primeira temporada de The Newsroom esses dias. Virei um tio que reassiste infinitamente as mesmas obras, mesmo que elas não sejam tão boas assim. Comfort food mental on demand. Quando The Newsroom começou, eu imediatamente curti. Todos os Sorkismos do mundo em uma série só, usando um caminhão de dinheiro da HBO e finalmente um Sorkin livre pra fazer o que quiser, escrever como achava que deveria ser. Claro que não deu muito certo, pois ele decidiu reescrever a realidade como um todo, num arroubo de autoconfiança invejável. Mas fora o que não deu certo, ainda há uma série que é romântica até o osso. Seja em relação ao Jornalismo com J maíusculo, seja com relações interpessoais. Personagens, que apesar de aparentemente serem apenas versões de uma mesma pessoa, causam em mim um sentimento familiar de pertencimento. Mesmo que eu nunca tenha pertencido à algo como o ambiente da série. Nostalgia por um passado inventado. Por querer estar ali, mesmo sem nem saber o que ali realmente seja.

Mr Inbetween, S01.

Fazia tempo que eu não ria com um personagem lacônico desse jeito. Em algum lugar de New South Wales, Ray é um capanga faz-tudo para um criminoso não muito importante em alguma cidade não muito grande. Os episódios voam, misturando violência e humor quase na mesma dose. O mérito maior é mesmo para Scott Ryan, que faz o papel de Ray. Dono de um timing insuperável, episódio após episódio não tem como não simpatizar com as agruras que ele passa, mesmo que elas sejam causadas por ele mesmo. Ótima série, que passou batida pelo meu radar, mas graças à uma dica direta de down under (valeu D!), corrigi essa falha. Tu meio que devias fazer o mesmo, vai por mim.

Old, 2021.

Fico meio em dúvida sobre o quanto autoconsciente o Shyamalan é. Acho que vou decidir que ele sabe o que tá fazendo. Pois em alguns momentos, rola um lance com o áudio desse filme que só pode ser brincadeira ou uma escolha deliberada. Sem contar no diálogo, que causa uma sofrência meio gratuita. Mas fora isso, se eu tivesse uns doze anos de idade, ia curtir pra caralho ver esse filme e chegar e contar pra todo mundo ver na escola. Talvez seja isso, né. Um filme que não se se leva muito a sério, mas que mesmo assim é bem filmado e montado. É como um sonho, que tu não sabes muito bem se é um sonho engraçado ou triste.

Candyman, 2021.

Não lembro muita coisa do original, acho que a última vez que assisti foi em VHS ainda. Nunca entrei numas com o material do Clive Baker que foi adaptado para filmes. Ele é creditado como um dos roteiristas desse remake, que achei bem competente e funcionou muito bem. Chicago continua sendo uma baita cidade para ser filmada. A parte do horror mesmo, não sei se foi muito eficiente (algumas cenas parece que foram inseridas na pós-produção, após alguém dizer “gente tá faltando uma cena assim assado”), mas como drama sobre o ciclo infinito de demolição e construção que cidades muito grandes passam década após década, bom filme. Até mesmo a parte Velvet Buzzsaw foi interessante. Lendas urbanas eternas, fazendo o que sabem fazer melhor.

Charley Crockett – Music City USA, 2021.

Pardon me, mister I feel I’ve given up
So humor me and if you don’t mind
Could you fill my cup?
Somebody says you look under the weather
And I reply that I’ve been much better

Excuse me, please
The world just broke my heart

I don’t feel sorry for myself because
That would be too much

Sou um cara de sorte. Bem quando as coisas começaram a dar bem errado pra mim, me apareceu o Charley Crockett. No último ano, carrego os discos dele no celular como um precioso bem, capaz de mudar o curso do dia num apertar de botão. Um amigo que sabe exatamente o que te falar e como te falar. Sorte também é pegar Crockett em plena ascensão em sua carreira, com uma banda cada vez mais afinada e composições cristalinas que parecem brotar constantemente. Os últimos três discos do homem são 10/10, em uma discografia já pesada. Estamos todos cansados, mas parece que Charley está só começando. :: https://orcd.co/musiccityusa

Malignant, 2021.

Bagulho é doido. James Wan sempre foi um diretor que sabe o que está fazendo, mesmo que esse “o quê” seja ruim (Aquaman, Furious 7), bom (The Conjuring, Death Sentence) ou simplesmente filme-pra-adolescente-se-divertir (Saw, continuações de Conjuring e Insidious). Malignant é meio indeciso como filme, pois há uma produção massa, que constrói uma cinematografia até rebuscada às vezes (numas meio “ei, faz meu filme parecer Se7en pfv”) – mas daí tudo fica meio zoado com a atuação do cast em cima dos diálogos totalmente dureza de se testemunhar e com a notória predileção por gore grotesco de Wan (em boa forma, mas de novo, meio indeciso no que quer “ser”). No final das contas, divertido pra carai, mesmo que ali pelo começo dê uma canseira leve. Um filme feito por um cara que certamente passou horas em seções de horror de videolocadoras, assistia aquelas sessões de filmes B da BAND e que até hoje se lembra dos filmes que viraram lenda na escola ali pela sétima série.

Red Room, #01-03.

Ed Piskor é dos meus. Acho que ele é um dos poucos artistas que acompanho há anos no Instagram e ainda curto o que ele posta. Porque ele é nerdão. Daqueles que passa o tempo livre realmente jogando games 8-bit. E quando ele senta pra trampar, trampa mesmo. Escreve, ilustra, letra, diagrama, edita. Broder é um estúdio de arte inteiro sozinho. Red Room foi desenvolvida quase em tempo real, com páginas disponíveis no Patreon assim que Piskor as terminava (não paguei, mas valeu esperar pra ver Red Room no formato “final”). Misturando dark web, snuff, gore a galore e um doentio detalhismo gráfico, Piskor apresenta Red Room em histórias fechadas, mas que se conectam dentro do universo da HQ. É um trampo de nerd pra nerd, na sua forma mais brutal e intrincada. Coisa de quem cresceu assistindo Faces da Morte em VHS, que baixou um DIVX de Cannibal Holocaust, que lia revistas como Lôdo. Treta demais pra explicar, na real.

Nine Perfect Strangers, S01E01-05.

Sempre tive medo de hippies. Em Nine Perfect Strangers, meus medos meio que se justificam. A mistura de xamanismo oportuno, busca de autoconhecimento como a solução final para a tristeza e problemas da vida, yoga, bioenergia e mais um monte de coisas que custam caro em spas é bem assustadora. Porque beira um culto. E mesmo que seja em busca de algo maior/melhor, ainda há de se pagar a salgada conta. Tirando essa minha birra, boa série (não li o livro em que se baseia mas estou curioso agora). Kidman e boa parte do cast em chamas, mastigando o roteiro com fúria e os episódios se desenrolam sem muitos momentos menores. É uma espécie de House on The Haunted Hill da wellness. Diversão pura, às vezes.

Maniac of New York, #01-05.

Enquanto os detentores dos direitos de Friday The 13th não se resolvem, posso colocar essa boa Maniac Of New York direto na linhagem de Voorhees: e se o monstro como esse surgisse em uma cidade incapaz de resolver problemas óbvios? Por quanto tempo ele seguiria destruindo tudo ao seu redor? Um brutal exercício slasher em forma de HQ.

Fear Case, #01-04.

Matt Kindt em boa forma, econômico e esquisito no grau. Tyler Jenkins em seu modo mais noir-gore possível. Fear Case desenrola como um filme amaldiçoado, deixando pouco espaço para especulações ou conspirações, apesar de ser calcado em justamente coisas do tipo. Algumas perguntas merecem nem ser contempladas.

Public Memory – Ripped Apparition, 2020.

Um esculacho darkwave, cheio de faixas quase perfeitas. O release é uma pérola: “Despite playing with our experience of time, Ripped Apparition isn’t simply an exercise in nostalgia. Nor does it retreat to an imagined world to come. The album evokes a degraded past and future, existing simultaneously, saturated with loss and uncertainty. Escape to another time is not an option here anyway; there is only the unrelenting present and an attempt to make sense of the dreams and fantasies we’ve built it on.” :: https://publicmemory.bandcamp.com/album/ripped-apparition

Vigil, S01E01-03.

BBC One, a mesma produtora que fez Line Of Duty e Bodyguard. Submarinos atômicos e homicídio. Cast impecável. O único ponto ruim de Vigil até agora é que tão soltando um episódio por semana (e como sempre no UK, serão apenas seis no total). Dos nichos que curto, “treta em submarino nuclear” é definitivamente um dos meus favoritos, mesmo que passe anos e anos sem sair nada novo usando esse tipo de cenário. Vigil tem ainda três episódios mais, tudo bem. Feliz que aconteceu, não porque acabou etc

Phantom On The Scan, #01-05.

Acho que comecei a ler as HQs do Cullen Bunn via Cold Spots ou The Empty Man, não lembro (mas recomendo ambas fortemente). De cara gostei do jeito que ele escreve horror e desde então tenho acompanhado o autor, de vez em quando lendo alguma coisa que ele publicou anos atrás; Phantom On The Scan é de 2021 e reúne Bunn com o artista Mark Torres, que fez Cold Spots. Cinco edições que passam voando, triturando referências e mostrando que Bunn e Torres operam no mesmo nível, seja no gore ou no minimalismo. O horror sci-fi nosso de cada dia, bem representado.

Reckless: Friend of The Devil, 2021.

Ano passado, ao escrever sobre o primeiro livro de Reckless, meio que deixei a entender que é um privilégio acompanhar o trabalho de Brubaker & Philips hoje em dia. Continuo pensando o mesmo, um ano depois. Nada como ter um livro como esse em mãos e viver esse pequeno momento. Esse segundo livro, Friend of The Devil, me fez lembrar da última vez que reassisti Once Upon a Time… in Hollywood. Há um sentimento de familiaridade, que inicialmente achei meio esquisito, pois não tenho lá muitos amores pelos 70s (ou 80s). Mas acho que são os personagens mesmo, que soam como um amigo, mesmo eles sendo de um período doido naquele pedaço dos Estados Unidos, nada a ver comigo ou de onde venho. Em breve sairá mais um livro dessa série, mais um espaço de tempo a ser compartilhado com esses personagens. Te desejo vida longa, Ethan Reckless.

The Green Knight, 2021.

O que você quer ser quando ninguém tá prestando atenção. Ou: como diferenciar ser de ter. Esteticamente atraente, quase não parecendo um filme vindo dos Estados Unidos. Acho que li o poema quando ainda não sabia ler, então não sei dizer nada sobre a adaptação em si. Aprecio o tema e as poucas explicações. Ambição é uma merda. Boa trilha sonora. Patel em quase-chamas. Não escaparia de uma eventual reassistida. Que quando importar, estejamos prontos (e sempre importa).

The Vast of Night, 2019.

A primeira vez que tentei assistir esse, não passei dos primeiros quinze minutos. Daí tentei de novo e meio que do nada eu só queria estar ali presente, assistindo cenas e mais cenas sobre essas doideras que estão acontecendo em uma cidade muito pequena. Um diretor a se acompanhar.