“No Brasil inteiro deve ter um milhão de pessoas que vivem na rua vendendo coisas. E essa noção de liberdade, se é falsa ou não, não importa. O cara no lixo diz: “Olha eu trabalho aqui, agora sábado eu não venho. Sábado eu faço feira, não sei o que.” Não ter um patrão. Para quem tem herança de escravidão é um troço essencial. Tudo no Brasil está ligado ao troço da escravidão. Isso pesa muito, entende? O horror ao trabalho é um troço que vem dos 350 anos de escravidão.” :: https://apublica.org/2014/02/tudo-eu-faco-e-contra-jornalismo/

Painting With John, S01E01.

Em tempos de confinamento, solidão, tempo infinito e paciência, assistir a esse Painting With John foi como receber um desconhecido em casa e ver que em 30 segundos ele virou teu amigo. O título do episódio é Bob Ross Was Wrong e tu já sabes como vai ser o tom. Vinte minutos passam voando enquanto John pinta e fala contigo. Em tempos doloridos, quase qualquer companhia cura.

The Vow, 2020.

Em certo episódio tem uma entrevista com o jornalista do The New York Times, que está escrevendo o artigo sobre NXIVM – ele diz que se sente confortável escrevendo sobre o tema pois esses lances de “explorar o seu potencial/ser sua melhor versão” não funcionam com ele. Me senti representado. A narrativa dos nove episódios desse doc é bem arrumada e fácil de ficar assistindo, mas não consegue fazer pessoas como eu e o jornalista realmente entenderem o que as pessoas envolvidas no culto passaram. A parte comercial do culto é muito mais interessante pra mim, mas infelizmente não detalharam tanto essa parte. Bom doc, mas recomendaria o sobre Heaven’s Gate ao invés desse. Se é pra entrar na doidera, que seja com os dois pés.

I’ll Be Gone In The Dark, 2020.

Meu cérebro infeliz ficava lembrando daquela frase do Bukowski, que muito me encantou quando tinha 14 anos, “Find what you love and let it kill you” (que nem é dele), enquanto assistia aos longos, profundos e dolorosos episódios desse documentário. Terrível assistir esse documentário. É uma caixa imensa de vídeos, textos, áudios, sms, fotos, caixas postais, emails, dms – toda uma maneira de registros que cobre décadas. Muita dor, velho. Dor demais. Por tanto tempo. É assustador o detalhismo técnico da série toda. Morrer pode ser tão mais do que se parece.