Man Push Cart, 2005.

Na sincera, achei que era um documentário quando comecei a assistir. E digo isso como elogio, pois foi somente depois de um tempo que saquei que era ficção. Um fime triste para cacete, que ressoou de forma brutal comigo. Uma dureza de vida, de filme, de tudo. O tipo de filme difícil de recomendar, mas que fica marcado não só pela impressionante capacidade técnica, mas pela sensibilidade fundamental ao narrar uma bad trip incomensurável.

ZeroZeroZero, S01.

Uma série que junta Roberto Saviano com Stefano Sollima e um caminhão de dinheiro da Amazon. Esteticamente impecável, monta uma narrativa transcontinental de forma eficiente, mesmo que com alguns momentos menores. Abre muito espaço para se observar em detalhes as diversas camadas de um dos tipos de negócios mais importantes hoje em dia. As cenas em Dakar para sempre me atordoarão. Um sonho de de desaparecer no deserto.

First Reformed, 2017.

Belo filme, com mão firme no minimalismo estético sem cair na vibe teatral. Possui uma conexão direta com filmes como Diary Of A Country Priest, do Bresson, e Winter Light, do Bergman. Mas como esses filmes já possuem várias decadas de vida, talvez seja bom ter First Reformed disponível em serviços de streaming hoje em dia. Os temas são os mesmos, a dor também – os tempos é que são diferentes mesmo. Ethan Hawke em seu estado mais bruto, ainda que sensível. Algumas cenas ficam queimadas na minha cabeça. Ser um bicho humano é uma treta infinita. Destaque para a trilha do Lustmord, uma boa surpesa.

No Sudden Move, 2021.

Antes desse filme, Soderbergh havia entregue o ótimo Let Them Talk (obrigado, Steven). A mudança drástica de tema é admirável, assim como o impecável trabalho de câmera e cinematografia nesse No Sudden Move. E qualquer filme que coloca o Del Toro em situações como as que ele passou nesse, será bom filme. Que homem. E o resto do elenco é um Avengers Assemble em si. Coisa boa de se assistir.

On the Rocks, 2020.

Quem dera ter um pai como o Murray para me acompanhar em momentos terríveis da vida, me pagando drinques e insistindo em me dar caronas para todo lugar. Bom filme, engraçado sem ser uma comédia. Um drama que usa a “velha” New York como personagem de forma muito eficiente, sem pesar a mão no romantismo por tempos idos. Ah, a cidade que nunca morei, mas que parece ser casa.

The Sparks Brothers, 2021.

Uma metralhadora apontada para o formato “documentário músical”, que usa a história dos Sparks para descer o dedo em tudo que eu e você já vimos diversas vezes em docs tipo esse. Irresistível, empolgante, denso, bem engraçado. Coisa bem de quem curte mais o formato do que o conteúdo, como fizeram várias vezes os próprio irmãos do Sparks. 10/10.

The Only Living Boy in New York, 2017.

Meio inevitável assistir a esse filme inteiro imaginando a Marisa Tomei no lugar da Kate Beckinsale, mas tudo bem. Nada muito novo aqui, além do Jeff Bridges em chamas incandescentes em todas as cenas. Só por isso já vale a assistida “I’m a duke!”. Um bom filme de tardes de domingo. Saudades de ser um jovem granado.

Motherless Brooklyn, 2019.

Fadado a ser eternamente fascinado por filmes (neo) noir, demorou alguns minutos para eu curtir esse Motherless Brooklyn, dirigido e escrito pelo próprio Norton. De certa forma, é um filme sobre tentar lutar em umas categorias de peso acima da sua. Entendo. Destaque para um dos melhores Miles já registrados em um filme e para o eterno Alec Baldwin, que me fez ter simpatia por tiranos (mas não muita).

Bongzilla – Weedsconsin, 2021.

16 anos desde o último disco do BONGZILLA. Tava vendo que o Amerijuanican é de 2005. Ali no começo das minhas experiências stonerísticas, apareceu o Bongzilla com seus riffs crocantes anunciando todo um novo gênero (sludge/stoner/doom crossover), vinhetas engraçadas nas músicas e um senso de humor maconheirístico fortemente brega. Pra um adolescente, perfeito. Mas dezesseis anos são dezesseis anos né. A banda virou um trio, eu virei pelo menos umas três pessoas diferentes pelo caminho. Mas nesse ano da pandemia, aqui nos encontramos, sem muito daquele senso de humor besta, sem muita moral, sem muitos amigos. Mas ainda comendo riff fincado na bagaceira no café da manhã. Obrigado, BONGZILLA :: https://heavypsychsoundsrecords.bandcamp.com/album/bongzilla-weedsconsin