“If only all the modern practices of fandom had inherited The Kinky Wizards’ sense of skate-punk chill. Almost Famous and High Fidelity found their foothold after they left theaters, but their warnings about maintaining separation between yourself and the media you love never really has. If anything, that type of behavior has only gotten worse as the years go by, amplified by social media and monetized by a shrinking number of conglomerates controlling an increasing number of recordings, movies, and TV shows. The internet democratized the collections and the knowledge bases that Rob and his co-workers cited to feel to superior to other people, but the gatekeeping didn’t come to an end—it simply mutated into loud, abusive campaigns whenever people who’d been previously shut out of Star Wars, Ghostbusters, or video games asked for access to the clubhouse.” :: https://film.avclub.com/we-re-uncool-almost-famous-and-high-fidelity-celebra-1844696779
“If Point Blank was the 1960s abstracted from within the moment, within the thick of it all, then Limits of Control is the 2010s abstracted from without, a 2009 premonition for how our classical perception of art, reality, bohemianism would become permanently distorted in an age when the memory of a beloved becomes their Slumber-filtered headshot on Insta (“Sometimes,” Bernal says, “the reflection is far more present than the thing being reflected”).” :: https://mubi.com/notebook/posts/jim-jarmusch-ludlow-drifter
Too Old To Die Young, S01E01-04.




Tenho assistido a série do Nicolas Winding Refn com o Ed Brubaker pra Amazon, chamada Too Old To Die Young.
O silêncio como personagem. A violência americana nossa de cada dia.
Um diretor dinamarquês, bastião da ultra-violência estilizada contemporânea e um roteirista condecorado norte-americano, artesão de diálogos e tramas impossíveis, com pelo menos uma dezena de títulos publicados que já são clássicos.
E um caminhão de dinheiro da Amazon.
parece que os dois pegaram uns dois livros do McCarthy, outros do Chandler, uns filmes do Mann e Wenders, umas hqs do Ennis e passaram pelo filtro do Pizzolatto (que aliás deve ter destruído umas três TVs assistindo Too Old To Die Young – na moral, é tudo que a HBO nunca mais vai deixar ele fazer em True Detective).
Há um equilíbrio fundamental entre os dois criadores. Especulo, só por ter crescido lendo Brubaker e assistindo Refn – que Refn tenta mergulhar em momentos artísticos e Brubaker o puxa de volta, mostrando que não há nada muito místico em seres humanos.
É pura polpa de Américas (norte, sul, central).
Dez episódios. Tou no quarto. Cada episódio parece durar umas quatro horas. Os takes são excruciantemente lentos, te obrigam a seguir o ritmo da série, como uma mão repousando fortemente no teu ombro.
SENTA-TE, grita um personagem em espanhol em algum episódio. Senta, presta atenção.
A fotografia é do mestrão Darius Khondji, caminhando seguro entre arte e autoindulgência. Haja pan.
Tu começas a prestar atenção à tua respiração, o tempo distorce um pouco. as cenas se alongam e tu nem percebes que faz 20 minutos que a câmera pouco se mexe.
O som ambiente dos episódios é afogante. Em um episódio que se passa no México, dá vontade de ir fechar as janelas da casa, de tanto som ambiente vazando. Tanto inseto, vento, poeira fazendo barulho.
Ainda tenho vários episódios pra assistir. Em algumas semanas acho que termino.
Não há a galopante pressão que algumas séries dão, de que há grandes eventos a se desenrolarem. É diferente. Parece que o final não importa muito, pois o privilégio está em assistir o intervalo entre um evento da série e outro.
No mundo de Too Old To Die Young, decisões são tomadas sem nenhum alvoroço, mesmo que sejam decisões improvisadas ou inconsequentes. Há um conforto exalado pelos protagonistas.
O mundo é deles. O tempo se move só de acordo com os seus desejos.
Poucos coadjuvantes ou personagens secundários sequer falam na série. Espectadores, mudos, imóveis e subservientes aos protagonistas, que matam, roubam e vivem uma realidade tão brutalmente diferente, que nem precisam reconhecer a sua/nossa existência.
Viajando aqui, talvez essa seja a história das Américas, no fundo. um monte de figurante observando os protagonistas violentos tomarem suas decisões ao seu próprio tempo. O ciclo infindável da violência como entidade reguladora de tudo.
Loustal, Terra de Ninguém.
Maybe you could just keep that in reserve. Maybe just take a shot at startin over. I dont mean start again. Everybody’s done that. Over means over. It means you walk away. I mean, if everthing you are and everthing you have and everthing you have done has brought you at last to the bottom of a whiskey bottle or bought you a one way ticket on the Sunset Limited then you cant give me the first reason on God’s earth for salvagin none of it. Cause they aint no reason. And I’m goin to tell you that if you can bring yourself to shut the door on all of that it will be cold and it will be lonely and they’ll be a mean wind blowin. And them is all good signs. You dont say nothin. You just turn up your collar and keep walkin.
– Cormac McCarthy, The Sunset Limited.
Discos Favoritos de 2014
The Wake, #01-10.

Dividida em duas partes que se completam sem esforço algum, The Wake é uma história que engana, por parecer muito mais simples do que é. Não que isso seja a deixa para ser uma HQ cabeçuda, que quer explicar o sentido de tudo entre um painel e outro. Não há cabecismo verborrágico transcendental.

Há apenas esmerilhamento constante, em todas as edições. Seja na arte, seja no roteiro, seja na maldita premissa. Uma coisa ficou na minha cabeça após a leitura de The Wake, uma frase do Bill Hicks. It’s just a ride. Uma frase necessária e fundamental. Que merece virar mantra. The Wake seria um dos pontos altos dessa ride, até por pura ironia. Obrigado Scott Snyder e Sean Murphy.

