I borrowed a spacesuit from Sun Ra himself
Set out on my astro travels
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2020 WAS A VERY GOOD YEAR
2020 WAS A VERY GOOD YEAR
Metallica – Live At Festival Hall, Osaka, Japan – November 18th, 1986

Tava aqui ouvindo essa FITA de um show do Metallica em Osaka em 1986 e:
– que fio desencapado era o jovem james de 86. pirando nos efeitos vocais, gritando fora de tom, soltando aos poucos todos os trejeitos que hoje em dia consideramos default. ah, a fúria da juventude. a gargalhada de quem canta segurando um copo de ceva imenso.
– que época boa quando o metallica abria os shows com battery e metia uma sequência absurda de cinco músicas que acabava em um SOLO DE BAIXO.
– o tempo é quase duas vezes mais inclemente do que o tempo que o metallica pratica há uns 20 anos já. não que seja mais rápido, é só mais DESREGRADO. uma época mais romântica, menos técnica. tem umas engasgadas ansiosas.
Her Smell, 2018.

Tava pensando aqui quando foi que assisti um filme do Alex Ross Perry, porque o nome não me é estranho.
Foi um pouco antes de me mudar de São Paulo. Entrei em uma seção de Listen Up Philip naquele cinema Itaú da Augusta, em 2014. Parece umas duas vidas atrás. Entrar em uma sala de cinema espontaneamente. Cinema com saída pra rua. Essas coisas que vão se perdendo.
Her Smell é o mais recente dele, e assim como Listen Up Philip, é um filme que demanda bastante do espectador. Neste caso não só é difícil acompanhar os diálogos frenéticos (com um quê caótico-irritante de Safdie Brothers) como a trilha sonora/sound design totalmente paranoico e semi-nauseante (com um quê sádico de Gaspar Noé) que te degasta minuto após minuto.
Teve um momento em que tive que parar o filme só pra poder respirar normalmente. Colocar a cabeça fora da água.
Elizabeth Moss, eterna favorita deste humilde canal, comanda todo esse teatro com maestria. Por mais difícil que seja assistir essa bad trip em forma de filme, há muito a ser aproveitado aqui. seja o retrato importante de um período musical ainda pouco explorado no cinema, seja no elenco de suporte que brilha demais (quando consegue).
Não há muita redenção, ou até mesmo satisfação. Mas há pureza. O que mais pode se querer de um filme.
