Breaking Bad, Finale.

Não creio que seja uma das séries Top 5 de todos os tempos – e talvez nem precise ser. Mas é uma série corajosa. Transformou meth em algo pop, utilizou o plot inicial para construir sólidos arcos em cinco temporadas – e no final conseguiu destruir tudo e todos. Esse é o legado de Breaking Bad para mim: tu podes fazer tudo que quiseres, mas esteja pronto para levar algumas balas. E muita gente vai se machucar. Ganhou lugar cativo no imaginário pop deste novo século (como esquecer o eterno Tuco, a participação de Danny Trejo, o Cartel, Gus, Saul e tantos outros bons personagens e situações doidera?) e fez do seu último episódio algo definitivo mas não fatal, como todo bom faroeste deve ser. Quando uma série te faz sentir falta dela, não importa muito o resto: ela fez o que tinha que ser feito.

V/H/S 2, 2013.

O primeiro V/H/S foi interessante, uma coletânea de horror capaz de criar uma nova mitologia. O segundo filme segue a mesma estrutura, e expande ainda mais a premissa inicial. Gosto do uso do vídeo como artifício sobrenatural – Desde Blair Witch venho acompanhando o “gênero”: tivemos bons exemplares como Sinister, The Ring/Ringu, Shutter e Pulse. E com a série V/H/S, dá pra dizer que o gênero tá indo bem.

Deceptive Practice: The Mysteries and Mentors of Ricky Jay, 2013.

Jay passa o documentário todo contando como grandes nomes da área o ensinaram, de uma forma ou de outra, como mestrar uma arte. O tipo de mágica que Jay cultiva é bastante rara hoje em dia, não há pirotecnia nem efeitos especiais devastadores. Mas há: precisão cirúrgica em todas as palavras, movimentos e expressões, controle total do que a platéia está vendo e finalmente um efeito mágico tão incrível, que impossível não coçar a cabeça. Belo documentário, podia ter umas cinco horas.

Bobby Fischer Against The World, 2011.

Um passeio bastante atordoante pela história e dias de Bobby Fischer. O documentário conta seu início totalmente obsessivo com o jogo, sua confusão mental, que lhe custou décadas de reclusão e finalmente o seu ressurgimento – uma outra pessoa, longe da figura que lhe trouxe fama. Não especulo muito sobre que tipo de transtornos mentais ele tem ou teve, mas que foi uma jornada selvagem e inclemente, isso foi. Nunca esquecer de Bobby Fischer. E que se for preciso ir contra tudo e todos, que seja.

Only God Forgives, 2013.

Não que seja um filme bom. Muito menos o melhor do Refn. Mas ele tem aquela maldita atmosfera. Fico hipnotizado. Assisto somente para ficar encarando a tela, ouvindo os sons e aos poucos me sentir totalmente cooptado. É como um sonho recorrente. Há um conforto bem específico, incomum. Only God Forgives não é um filme, é apenas um espaço de tempo que eu gosto de visitar.

Page Eight, 2011.

Bill Nighy é um analista de inteligência do MI5, mora sozinho, teve quatro esposas, vive uma rotina minimalista – e então conhece a sua vizinha, Rachel Weisz. Daí tem alguma coisa envolvendo escândalos internacionais, mas tem também a Rachel Weisz. Grande filme para uma noite de domingo.

Luther, S03E02.

Desde a primeira temporada, um delírio wagneriano em forma de série policial britânica, acompanhar Luther tem sido complicado. Tudo começou, e terminou, de um jeito tão destruidor na primeira temporada. Acompanhar os dias do detetive John Luther depois disso é nada menos do que sadismo. Mas mesmo assim continuo assistindo. Por mais que já tenha acontecido um final, eu quero que ele não seja definitivo. Luther e eu não queremos isso.

Google And The World Brain, 2013.

O medo que esse documentário desenvolve dentro de ti é incrível. Os minutos vão passando, tu vais captando informações, digerindo argumentos, ficando triste e ansioso. Era para ser um filme sobre o projeto Google Books, sobre como teríamos a nossa Biblioteca de Alxeandria digital. Acaba sendo sobre como entramos de cabeça (e por que não?) nessa bela era da Internet – e só agora estamos parando para olhar os termos de serviço. Um documentário que parece de cara até tardio, datado. Entretanto, apresenta o layout de discussões intensas que acontecerão nas próximas décadas. E dá medo, muito medo.

New World, 2013.

Dirigido pelo roteirista de I Saw The Devil. A história tem ecos de Infernal Affairs e outras tramas de crimes asiáticas. Os ternos são todos bem cortados e os carros, pretos e luxuosos. As cidades são letais de noite e pouco confortantes durante o dia. Os personagens acabam te conquistando de uma forma ou de outra – não adianta especular até assistir o filme inteiro. É um filme triste, mas não melancólico. Dificilmente filmes coreanos são melancólicos, aliás. A tristeza que eles carregam é bem específica, não se arrasta. Ela pontua. Vale ressaltar a cena da briga no estacionamento e elevador.

My Blueberry Nights, 2006.

Sempre enrolo muito para ver (ou rever) filmes do Wong Kar-Wai. Sei o que me espera neles. São filmes que primeiro fingi não gostar, depois abracei incondicionalmente e hoje em dia trato com cuidado, pois sei o estrago que cometem. Rever My Blueberry Nights foi um pouco mais fácil do que esperava, muito por ser em um idioma que conheço e por ser o filme do Kar-Wai que possivelmente mais escutei a trilha sonora. Havia muita coisa familiar no filme, mas mesmo assim sempre tem algo para te derrubar. Dessa vez foi talvez um diálogo logo nos cinco primeiros minutos do filme. É complicado esse negócio de ficar assistindo os filmes desse cara.