Too Old To Die Young, S01E01-04.

Tenho assistido a série do Nicolas Winding Refn com o Ed Brubaker pra Amazon, chamada Too Old To Die Young.

O silêncio como personagem. A violência americana nossa de cada dia.

Um diretor dinamarquês, bastião da ultra-violência estilizada contemporânea e um roteirista condecorado norte-americano, artesão de diálogos e tramas impossíveis, com pelo menos uma dezena de títulos publicados que já são clássicos.

E um caminhão de dinheiro da Amazon.

parece que os dois pegaram uns dois livros do McCarthy, outros do Chandler, uns filmes do Mann e Wenders, umas hqs do Ennis e passaram pelo filtro do Pizzolatto (que aliás deve ter destruído umas três TVs assistindo Too Old To Die Young – na moral, é tudo que a HBO nunca mais vai deixar ele fazer em True Detective).

Há um equilíbrio fundamental entre os dois criadores. Especulo, só por ter crescido lendo Brubaker e assistindo Refn – que Refn tenta mergulhar em momentos artísticos e Brubaker o puxa de volta, mostrando que não há nada muito místico em seres humanos.

É pura polpa de Américas (norte, sul, central).

Dez episódios. Tou no quarto. Cada episódio parece durar umas quatro horas. Os takes são excruciantemente lentos, te obrigam a seguir o ritmo da série, como uma mão repousando fortemente no teu ombro.

SENTA-TE, grita um personagem em espanhol em algum episódio. Senta, presta atenção.

A fotografia é do mestrão Darius Khondji, caminhando seguro entre arte e autoindulgência. Haja pan.

Tu começas a prestar atenção à tua respiração, o tempo distorce um pouco. as cenas se alongam e tu nem percebes que faz 20 minutos que a câmera pouco se mexe.

O som ambiente dos episódios é afogante. Em um episódio que se passa no México, dá vontade de ir fechar as janelas da casa, de tanto som ambiente vazando. Tanto inseto, vento, poeira fazendo barulho.

Ainda tenho vários episódios pra assistir. Em algumas semanas acho que termino.

Não há a galopante pressão que algumas séries dão, de que há grandes eventos a se desenrolarem. É diferente. Parece que o final não importa muito, pois o privilégio está em assistir o intervalo entre um evento da série e outro.

No mundo de Too Old To Die Young, decisões são tomadas sem nenhum alvoroço, mesmo que sejam decisões improvisadas ou inconsequentes. Há um conforto exalado pelos protagonistas.

O mundo é deles. O tempo se move só de acordo com os seus desejos.

Poucos coadjuvantes ou personagens secundários sequer falam na série. Espectadores, mudos, imóveis e subservientes aos protagonistas, que matam, roubam e vivem uma realidade tão brutalmente diferente, que nem precisam reconhecer a sua/nossa existência.

Viajando aqui, talvez essa seja a história das Américas, no fundo. um monte de figurante observando os protagonistas violentos tomarem suas decisões ao seu próprio tempo. O ciclo infindável da violência como entidade reguladora de tudo.

The Strain, S01E01-07.

Tem vezes que a ignorância é uma benção. Não sabia que existia uma trilogia de livros do Del Toro, não sabia que tinha HQs. Apenas baixei o primeiro episódio da série e imediatamente vi que ia curtir. De certa forma desde quando bem moleque jogava Resident Evil e assistia remakes de Invasion of The Body Snatchers, eu comecei a fantasiar com apocalipses, infestações e qualquer coisa que me tirasse da escola e me colocasse na rua para viver ou morrer brigando com monstrengos. The Strain acessa exatamente essas minhas fantasias de moleque, pois é em NY, tem os personagens durões, as escolhas fatais e um mal tão grande que o mundo não vai ser o mesmo depois dele. É uma série totalmente exploitation e isso é bom, bom pra caralho. É preciso bem pouco pra me divertir, na real. Só precisa acabar o mundo.

Hannibal, S01.

No mundo de Hannbial todo mundo se veste impecavelmente, combinando tecidos e tons com harmonia. A casa de todos os personagens é de uma sobriedade clássica, opulenta – todavia autêntica. No mundo de Hannibal, a psicologia a e terapia são armas letais, capazes de alterar mentes e guiar ações com detalhismo surreal. No mundo de Hannibal, todo jantar que ele prepara é uma refeição complexa extraída de um menu estrelado. Por ser uma série que segue moldes clássicos de Série De Crime, há claras limitações e incontáveis malabarismos de narrativa. Ignorando um pouco isso, é uma ótima série. Possui um universo próprio, o que já é um ótimo diferencial. E Hannibal é fatal. Mads Mikkelsen parece ter nascido pra esse papel, pra usar aquelas gravatas, cozinhar ao som de Handel e falar daquele jeito metafórico fatal. É como um bom filme de horror: tu até sabes para onde ele vai te levar, mas não por isso que a o caminho até lá não vai ser interessante.

Top Of The Lake, S01.

Ah bicho, que série. Que série (repetir por mais uma dúzia de vezes: que série). Ignorei por tempo demais as diversas recomendações que pipocaram sobre Top Of The Lake. Total e completa obliteração em cada episódio, seja pelatrama conduzida sem perdão, seja pelo cenário totalmente psicodélico que é região da Nova Zelândia onde a série se passa (fica gravado na cabeça: as cenas em Paradise, no lago, na subida para Laketop). Tem umas séries que buscam ser duronas a qualquer custo, mas no final todas vão acabar devendo para Top Of The Lake, que nem tem essa intenção, aliás. É apenas o jeito que saiu, ao que parece. Brutal.

Breaking Bad, Finale.

Não creio que seja uma das séries Top 5 de todos os tempos – e talvez nem precise ser. Mas é uma série corajosa. Transformou meth em algo pop, utilizou o plot inicial para construir sólidos arcos em cinco temporadas – e no final conseguiu destruir tudo e todos. Esse é o legado de Breaking Bad para mim: tu podes fazer tudo que quiseres, mas esteja pronto para levar algumas balas. E muita gente vai se machucar. Ganhou lugar cativo no imaginário pop deste novo século (como esquecer o eterno Tuco, a participação de Danny Trejo, o Cartel, Gus, Saul e tantos outros bons personagens e situações doidera?) e fez do seu último episódio algo definitivo mas não fatal, como todo bom faroeste deve ser. Quando uma série te faz sentir falta dela, não importa muito o resto: ela fez o que tinha que ser feito.

Luther, S03E02.

Desde a primeira temporada, um delírio wagneriano em forma de série policial britânica, acompanhar Luther tem sido complicado. Tudo começou, e terminou, de um jeito tão destruidor na primeira temporada. Acompanhar os dias do detetive John Luther depois disso é nada menos do que sadismo. Mas mesmo assim continuo assistindo. Por mais que já tenha acontecido um final, eu quero que ele não seja definitivo. Luther e eu não queremos isso.