Janko Nilovic & The Soul Surfers – Maze Of Sounds, 2020.

Um esculacho de grooves :: “Almost unknown to the general public, Janko Nilovic is a master for the initiated, whether they are at his side in the studio or comfortably seated in their armchair savouring the final result on their turntable. His discretion combined with his long years of silence on the record could lead one to believe that he had cleverly arranged his disappearance from the radar to make Janko Nilovic a mystery that has never been completely solved.” :: https://brocrecordz.bandcamp.com/album/maze-of-sounds

Metallica – Live At Festival Hall, Osaka, Japan – November 18th, 1986

Tava aqui ouvindo essa FITA de um show do Metallica em Osaka em 1986 e:

– que fio desencapado era o jovem james de 86. pirando nos efeitos vocais, gritando fora de tom, soltando aos poucos todos os trejeitos que hoje em dia consideramos default. ah, a fúria da juventude. a gargalhada de quem canta segurando um copo de ceva imenso.

– que época boa quando o metallica abria os shows com battery e metia uma sequência absurda de cinco músicas que acabava em um SOLO DE BAIXO.

– o tempo é quase duas vezes mais inclemente do que o tempo que o metallica pratica há uns 20 anos já. não que seja mais rápido, é só mais DESREGRADO. uma época mais romântica, menos técnica. tem umas engasgadas ansiosas.

Yob – Clearing the Path to Ascend, 2014.

O Yob tem uma meia dúzia de discos que não ouvi antes de Clearing the Path to Ascend. Mas acho que de certa forma isso não importa. Porque quando esse disco começou a tocar, nem parecia que era uma banda feita por pessoas de verdade. Assim como Novit Enim Dominus Qui Sunt Eius do Abyssal, que parece ser o fruto de uma gravação de uma luta entre kaijus no fundo do mar, esse disco do Yob parece ser a gravação de um terremoto enorme rachando um continente ao meio. Não é um som que sequer parece ter sido concebido dentro de um estúdio. É doom no seu modo mais doom possível.

BONES – DeadBoy, 2014.

GANGSTA DE BRANCO JOVEM que assiste filmes de terror demais. Mantendo o ritmo que dificilmente passa dos três minutos por faixa, BONES vai lançando uma mixtape atrás da outra, de graça. Até os interlúdios propositalmente bregas, no clima de trilha sonora de churrascaria, meio que funcionam. As numerosas faixas vão passando e entre uma piada e outra, tu vais ficando com medo – ou se empolgando. BONES sabe o que está fazendo e parece que vai continuar por um bom tempo. Enquanto os blunts durarem e ele tiver um quintal para sentar e fazer sessões infinitas. Essas mixtapes talvez sejam a minha trilha sonora que eu nem sabia que existia.

Baths – Ocean Death EP, 2014.

Parece capa de banda de post-metal berrado mas na real é um EP eletrônico totalmente esmerilhante do Baths, que consegue ser pop e ambient ao mesmo tempo, depressivo e benevolente, leve e cheio de camadas (e dá pra ficar nessa por mais uma carrada de adjetivos paradoxais). É a primeira coisa que escuto dele e fui ler um pouco sobre e: parece que ele tem essa capacidade meio mítica de fazer música que te enterra ou te salva, dependendo do dia. Se a faixa de abertura já não te vencer completamente, tente outro dia. Vai rolar.

Regarde Les Hommes Tomber – ST, 2013.

O Regarde Les Hommes Tomber encontra-se em uma intersecção espetacular para mim: há o peso do black metal na bateria e vocais, o arrastar do post-metal sludgiano nas guitarras e o esmero do post-rock nas melodias. Ao mesmo tempo a banda que faz parte dos três estilos – mas acaba não sendo verdadeiramente de nenhum deles. Não que isso importe muito quando os fones são tomados pelo tornado sonoro deles. Um disco de sete faixas que, talvez por conta do meu baixo repertório musical, não encontra par em minha coleção. Desde aquele momento em que o baterista resolve soltar a caixa meio que do nada em Prelude, permitindo que as guitarras descasquem a melodia entre si enquanto a pedaleira come solta por trás – até o apocalipse distorcido de The Fall, que tem aquele baixo cavalar e andamento no estilo saltando-de-um-prédio-de-42-andares, é um disco imersivo, sufocante e benevolente ao mesmo tempo. Tenho ouvido incessantemente há uns dias, como é um encontrar uma nova banda favorita.

Bongripper – Miserable, 2014.

Bongripper fazendo o que faz melhor: doom lamaçento, tétrico, longo pra caralho, com aquela pegada de ir destruindo baquetas a cada batida. Miserable é mais um exercício em baixa rotação dos mestres, te puxando pra dentro do monstrengo da capa – aliás se liga na doença que é ela inteira – em três faixas que são divididas mais por comodidade técnica do que por tema, pois como sempre elas acabam sendo uma enorme sessão de doom monolítico só. Sempre preferi os momentos de LAVA CROCANTE do que os de drone da banda e esse disco fica mais a meu favor. Depois de dois bons splits (um com o Hate e outro com o Conan), esse é o primeiro disco inteiro deles desde o já mítico Satan Worshipping Doom (que é de 2010, pra tu veres como o tempo passa mesmo na terra do doom). Doom eterno.