Charley Crockett – 10 For Slim: Charley Crockett Sings James Hand, 2021.

Coisas que acontecem. Ano passado, enquanto eu ouvia incessantemente o excelente Welcome To Hard Times do Charley Crockett, disco que salvou a minha vida pelo menos duas vezes, Crockett estava trabalhando com James Hand, eterno cantor-perdedor favorito deste canal, em um outro disco apenas usando canções de Hand (que, em mais uma bad trip do destino, faleceu em junho de 2020). O disco que saiu não só é um belo showcase para as composições de Hand, como para a voz e estilo melancólico de Crockett. 10/10 sofreria tudo que sofri de novo. Obrigado por tudo, Slim. :: https://orcd.co/10forslim

Dealer, S01.

Sempre vou ser pato pra esse tipo de série minimalista, inovadora e que pega umas ideias meio YouTube e empurra até o limite do orçamento (ver também: High Maintenance, Black Summer, Dead Set, Calls etc). Dealer é uma belezinha singular. Demora algumas cenas pra engatar as marchas, mas daí é só sucesso. Ótimos atores, uma meia dúzia de cenas que te deixam com o coração na mão e claro, a língua francesa em sua mais ríspida sonoridade gangsta. *chef’s kiss*. Me lembra demais certa vez que subi o morro errado e um corre de dez minutos demorou duas horas e meia.

Indigo Sparke – Echo, 2021.

Porque as noites estão ficando cada vez mais longas e eu não sei o quanto mais conseguirei preservar esse tipo de sentimento :: “Indigo Sparke debut album ‘Echo’ co produced by Adrianne Lenker, is a deep and intimate ode to death, decay and the restless feeling of wanting to belong to something greater.” :: https://indigosparke.bandcamp.com/album/echo

Pappy Kojo – Logos II, 2021.

O tipo de disco que te faz sentir como se estivesse de carona em um jipe militar, cruzando um mercado de rua imenso em Dakar em busca de algo gelado para beber :: “This might come in handy sometimes. I go to Nigeria a few times a year for the khat business (It’s booming!). I know it’s more popular in other parts of Africa, but I know some honeys in Lagos and the food is palatable there. Anyway, when I’m making dangerous drug deals, if I’m banging shit like this, it might lend me some street cred. I never know when a particular song may save my life. So yeah, I’m giving this a thumbs up just on account that It could keep me alive.” :: https://www.dcleakers.com/pappy-kojo-logos-ii-full-album/

Armand Hammer & The Alchemist – Haram, 2021.

Esse tipo de disco, que aliás é o tipo que o The Alchemist tem produzido com intenção brutal nos últimos anos, vai acabar por ser um dos registros mais importantes de um período inflado e confuso do hip-hop. Talvez o disco do ano já, só por estar contemplando um caminho musical e lírico que quase não encontra pares. Assustador como faixa após faixa, só fica melhor, mais intrincado e ocasionalmente abre a janela para uns segundos de redenção. :: https://armandhammer.bandcamp.com/album/haram

Menahan Street Band – The Exciting Sounds of Menahan Street Band, 2021.

Mais um da série: estou ficando velho rápido demais. E pensar que o último disco da Menahan Street Band é de 2012. Foi trilha sonora fundamental para um ano que ficou marcado como O Ano Do Coração Partido para mim. Nada como um dia após outro dia, meus bróderes. A banda continua firmeza demais, entregando clássico após clássico. “Some tracks sound like they are from the future and the past all at the same time.” :: https://menahanstreetband.bandcamp.com/album/the-exciting-sounds-of-menahan-street-band

nthng – Unfinished, 2021.

nthng fazendo ambient é o tipo de coisa que me representa demais :: “just get this and play it and boom, you’re trapped inside my head kinda like that movie with J-Lo called The Cell. This shit is what life is all about, my dear friends.” :: (o disco inteiro ainda não tá no bandcamp mas tu sabes como encontrá-lo) https://lobstertheremin.com/track/unfinished

God Is an Astronaut – Ghost Tapes #10, 2021.

Daí percebo que escuto God is An Astronaut há quase vinte anos já. O primeiro deles é de 2002. Teve um período (bem longo até) em que post-rock era algo novo, fresh ainda não muito repetitivo e carregava a responsabilidade de expandir nossas noções de roquenrol até um suposto infinito. O God is An Astronaut era (e ainda é) uma das melhores bandas desse período. Tive caminhadas em Belém ouvindo The End Of The Beginning, me perdi em madrugadas em São Paulo com Far From Refuge nos fones, pedalei por ruas vazias de Frankfurt com Age of The Fifth Sun como o meu único amigo. Agora me trancafio em lockdowns Rotterdam com Ghost Tapes #10 me trazendo a paz que só bandas como essa conseguem me trazer. Vinte anos, bicho. É como se tivessem sido dois. Virei tiozão saudosista do post-rock :: https://godisanastronaut.com/album/ghost-tapes-10

Calibre – Feeling Normal, 2021.

Curti muito o Planet Hearth, de 2019, do Calibre. Mas esse Feeling Normal é outra história. Liquid funk até o osso. :: “With a nod to the dancefloor, the clear idea for the album came about following the release of his most personal album to date ‘Planet Hearth’. “It still works in the headspace but ultimately it’s been written for the sweaty club experience we miss now, also after an album like Planet Hearth it felt very liberating to do,” he remarks.” :: https://calibre.bandcamp.com/album/feeling-normal

Parannoul (파란노을) – To See the Next Part of the Dream, 2021.

Tristeza e beleza shoegazer :: ” I still remember the first korean indie musician I heard. His music was so amateurish and difficult. The next musician I listened to had a great influence on my music life. However, his music was not promoted properly. Now they are all living their lives, disappearing from the Internet.
However, listening to their songs still reminds me of memories that never existed. Memories, recording alone in a small dark room, giving out a demo album to acquaintances, and forming a band in the club. Memories, in the early 2000s, when there was romance, performing at the Hongdae club with a few audiences, and then living each day without a plan. I’m sure I’ll never forget them forever.
I want to be a person like them, who is remembered and talked to for the rest of one’s life. Through these works, I want to leave a little trace of my own, no matter how stupid and anachronistic dream it may be.

This album can be said to be the answer to my dream.” :: https://parannoul.bandcamp.com/album/to-see-the-next-part-of-the-dream