Discos Favoritos de 2025 [ou] Pra Cada Dia da Semana Um Air Force

Hoje de manhã eu quase não quis levantar
Mas ‘tô aqui, ‘carai
E vou fazer virar
‘Cê num tem noção
Se eu não consegui me derrubar, ‘cêis não vão
Bróder, 2025 foi um ano ruim, me responderia o John Fante ao contá-lo das minhas histórias. Ele falava de 1932 ou 33 naquela edição de bolso da LP&M, mas encaixa em qualquer ano como esse. A treta é infinita e os anos são palitos de fósforo nessa caixa de existência. Todavia, aqui estamos – e ainda tragamos aquela Sunset Gelato. Ainda: ouvindo quantidades industriais de música. Um ano que teve muita coisa boa também, porque todo ano dureza tem o seu próprio tipo de carnaval.
Disco do Ano: não tinha como não ser CARO Vapor II – qual a forma de pagamento? do mestre Don L. Polpa de tudo que precisa ter para se sentir um cidadão completo/certificado do sul global, passando a limpo a nossa gana, nosso jeito de ver o rolê, nossa história real, nossa manha – e claro: nosso dedo médio em riste da forma mais charmosa possível, porque o nosso Último Bom Malandro não só ensina como conquista. Aulas infinitas. Tunumsabe.
Como é bom olhar pro lado e ter um disco novo do Atmosphere pra te fazer companhia. Jestures preenche a tabela clássica de todo um ano um disco, feito rolê marcado que nunca falha – deixando as coisas como deveriam ser.
Todo ano que tem dois discos do Charley Crockett já deixa claro que o lance não foi brincadeira. Bom ver o cara mandando tanto. Ajudou demais ter esses discos pra escutar. Lonesome Drifter/Dollar a Day podem não ser o seus melhores, mas contém tudo que tu precisas nessas trincheiras do dia a dia.
A categoria PUTARIA DESCOMUNAL, orgulhosamente vai pra d.silvestre com O que as mulheres querem, com seu funk avant garde, frito, pontudo. Uma britadeira de sacanagem e treta.
Quantas manhãs não foram recheadas com Stochastic Drift do Barker, que sempre é garantia de sucesso. Vários repeats necessários.
No seu ST, Nyron Higor chega como quem já foi lá e voltou (algumas vezes). Um disco delicioso, para dias de calmaria em terras frias e desoladas.
Se o Don L. é PHD, o Baco Exu do Blues tá mastigando uns mestrados. HASOS abre mais portas do que consegue atravessar, mas esse é o exercício (e que forma, bróder).
Aqui em casa gente conhece a Ulla Straus de longa data já, e esse ano ela veio com U.E., trazendo os grandes Hometown Girl e Other Girl e a gente agradece e aprecia. Uma delícia eterna, a música dela.
Porra quantos break de almoço tive fritando relendo Immortal Hulk e ouvindo Floating Points eu não tive esse ano. Não assisti o anime mas ouvi todos os discos da trilha sonora. Escolho Lazarus OST como o meu favorito do lote, só porque tive vários dias em que precisei de um disco assim.
O Let God Sort Em Out do Clipse seria meu disco do ano só pela ignorância e refinamento do bagulho todo se o Don L. não tivesse dropado mais um disco geracional. Aqui o papo é o mais reto possível, tu nem tens tempo de contemplar outro modo de viver. Cinco estrelas.
De vez em quando tu tens que abrir a casa e fazer um lüften. O equivalente em forma de disco disso foi esse 41 Longfield Street Late ’80s do Kieran Hebden + William Tyler. Um disco que insistiu em salvar manhãs minhas. Baita presente.
O stoner do ano vai pro III do Red Eye, e fica aqui a confisão que nem procurei muito novo stoner esse ano. Como comecei a tocar guitarra, fiquei o tempo todo voltando pros clássicos.
Um presente do Wu-Tang Clan junto com Allah Mathematics: Black Samson, The Bastard Swordsman é um disco golden era perfeito. Mata a sede de todos os velhos, contudo, deixando claro que envelhecer é uma escolha. Banger.
Junto com o último do Fange, toda vez que queria alguma ignorância sonora sob demanda, ia pro The Spiritual Sound do Agriculture. Aqui é pra iniciados, porque a liga é tortíssima, inclemente, crocante e pra quem tem um pouco de suco de ácido de bateria na cabeça.
Quando tudo parece perdido, te garanto que colocar Cancionaera da Natalia Lafourcade vai ser algo que tu queres fazer. Vai por mim.
E se o The Hives se permitiu olhar pra trás e até sentir uma certa nostalgia por tudo em The Hives Forever Forever The Hives, porque não a gente também?
Pra sempre eu e tu, bróder.
Pra sempre.
[aqui só vai um monte de coisa ainda excelente só que que não escrevi nada sobre]
Andrea – Living Room
N Kramer & Magnus Bang Olsen – Pastoral Blend
Eddie Chacon – Lay Low
Conan – Violence Dimension
Earl Sweatshirt – Live Laugh Love
Car Culture – Rest Here
Pothamus – Abur
The Orb – Buddhist Hipsters
Rival Consoles – Landscape From Memory
Rafael Toral – Traveling Light
Lucrecia Dalt – A Danger to Ourselves
Rod Modell – Northern Michigan Snowstorms
shinetiac – Infiltrating Roku City
John Also Bennet – Στον ελαιώνα
Sunn O))) – Eternity’s Pillars b/w Raise the Chalice & Reverential
Wisp – If Not Winter