Pilori – À Nos Morts, 2020.

Já faz uma cota que vale acompanhar o que os franceses tem produzindo na categoria música extrema. À Nos Morts tem vinte e três minutos de excelente destruição em forma de tags como powerviolence, blackened crust e chaotic hardcore. Mas no fundo mesmo, é só um disco quase perfeito do metal nosso de cada dia. :: https://pilori.bandcamp.com/album/nos-morts

Atmosphere – WORD?, 2021.

I been complaining just a little too often
I should be thankful for these limited options
I got a full belly and something to cough on
Somebody tell me what the fuck is my problem?

Como gosto do Slug véio. Desde 2018 ele parece ter removido alguns filtros de si mesmo (tarefa invejável para um cara que já tinha poucos filtros desde sempre) e despejando canções após canções com um candor que primeiro te abraça, para logo depois fazer espaço para que tu também tente acessar esse mesmo tipo de sentimento. Coisa de mestre :: https://atmosphere.bandcamp.com/album/word

Charley Crockett – Music City USA, 2021.

Pardon me, mister I feel I’ve given up
So humor me and if you don’t mind
Could you fill my cup?
Somebody says you look under the weather
And I reply that I’ve been much better

Excuse me, please
The world just broke my heart

I don’t feel sorry for myself because
That would be too much

Sou um cara de sorte. Bem quando as coisas começaram a dar bem errado pra mim, me apareceu o Charley Crockett. No último ano, carrego os discos dele no celular como um precioso bem, capaz de mudar o curso do dia num apertar de botão. Um amigo que sabe exatamente o que te falar e como te falar. Sorte também é pegar Crockett em plena ascensão em sua carreira, com uma banda cada vez mais afinada e composições cristalinas que parecem brotar constantemente. Os últimos três discos do homem são 10/10, em uma discografia já pesada. Estamos todos cansados, mas parece que Charley está só começando. :: https://orcd.co/musiccityusa

Public Memory – Ripped Apparition, 2020.

Um esculacho darkwave, cheio de faixas quase perfeitas. O release é uma pérola: “Despite playing with our experience of time, Ripped Apparition isn’t simply an exercise in nostalgia. Nor does it retreat to an imagined world to come. The album evokes a degraded past and future, existing simultaneously, saturated with loss and uncertainty. Escape to another time is not an option here anyway; there is only the unrelenting present and an attempt to make sense of the dreams and fantasies we’ve built it on.” :: https://publicmemory.bandcamp.com/album/ripped-apparition

Bones – BURDEN, 2021.

Tava aqui na vibe BONES e me toquei que já faz um tempo, uns sete/oito anos, que ele fica na dele, soltando uma mixtape atrás da outra. Nos últimos dois anos ele descobriu uma vibe agressiva interessante – mas ao mesmo tempo ainda comete faixas bregas e emo até o osso. No conjunto da obra, a consistência é de se admirar. Um artista completo. SESH :: https://soundcloud.com/teamsesh/sets/bones-burden

Hailu Mergia & The Walias Band – Tezeta, 1975.

O tipo de disco que me faz querer acordar cedo só pra dar play: “This “Tezeta” album is one of those that have been impossible to find for nearly three decades. Sourced by Awesome Tapes From Africa and expertly remastered by Jessica Thompson, its unique and funky renditions of standards and popular songs of the day are so quintessentially Walias, flavorful and evocative. Hailu’s melodic organ, unashamedly front and center in every track, makes even the complex pieces accessible.” :: https://hailumergia.bandcamp.com/album/tezeta

Bongzilla – Weedsconsin, 2021.

16 anos desde o último disco do BONGZILLA. Tava vendo que o Amerijuanican é de 2005. Ali no começo das minhas experiências stonerísticas, apareceu o Bongzilla com seus riffs crocantes anunciando todo um novo gênero (sludge/stoner/doom crossover), vinhetas engraçadas nas músicas e um senso de humor maconheirístico fortemente brega. Pra um adolescente, perfeito. Mas dezesseis anos são dezesseis anos né. A banda virou um trio, eu virei pelo menos umas três pessoas diferentes pelo caminho. Mas nesse ano da pandemia, aqui nos encontramos, sem muito daquele senso de humor besta, sem muita moral, sem muitos amigos. Mas ainda comendo riff fincado na bagaceira no café da manhã. Obrigado, BONGZILLA :: https://heavypsychsoundsrecords.bandcamp.com/album/bongzilla-weedsconsin

Howie Lee – 7 Weapons Series, 2020.

Esse disco tava no meu servidor desde o ano passado, de vez em quando aparecia numa sessão de shuffle pegada, me fazendo parar pra prestar atenção no que tava tocando. Maluco Howie Lee. “Known for fusing traditional Asian sounds into the experimental clubbing field, Howie Lee pushes the boundaries in order to access a broader sound palette. Styles and elements are always mixed ingeniously; Tibetan chanting, middle-eastern zurna, syncopated drums, deep and modern bass, buoyant jazz chords – it’s difficult to know what to expect.” Ou seja, the good shit :: https://maloca.bandcamp.com/album/7-weapons-series

Charley Crockett – 10 For Slim: Charley Crockett Sings James Hand, 2021.

Coisas que acontecem. Ano passado, enquanto eu ouvia incessantemente o excelente Welcome To Hard Times do Charley Crockett, disco que salvou a minha vida pelo menos duas vezes, Crockett estava trabalhando com James Hand, eterno cantor-perdedor favorito deste canal, em um outro disco apenas usando canções de Hand (que, em mais uma bad trip do destino, faleceu em junho de 2020). O disco que saiu não só é um belo showcase para as composições de Hand, como para a voz e estilo melancólico de Crockett. 10/10 sofreria tudo que sofri de novo. Obrigado por tudo, Slim. :: https://orcd.co/10forslim

Indigo Sparke – Echo, 2021.

Porque as noites estão ficando cada vez mais longas e eu não sei o quanto mais conseguirei preservar esse tipo de sentimento :: “Indigo Sparke debut album ‘Echo’ co produced by Adrianne Lenker, is a deep and intimate ode to death, decay and the restless feeling of wanting to belong to something greater.” :: https://indigosparke.bandcamp.com/album/echo

Pappy Kojo – Logos II, 2021.

O tipo de disco que te faz sentir como se estivesse de carona em um jipe militar, cruzando um mercado de rua imenso em Dakar em busca de algo gelado para beber :: “This might come in handy sometimes. I go to Nigeria a few times a year for the khat business (It’s booming!). I know it’s more popular in other parts of Africa, but I know some honeys in Lagos and the food is palatable there. Anyway, when I’m making dangerous drug deals, if I’m banging shit like this, it might lend me some street cred. I never know when a particular song may save my life. So yeah, I’m giving this a thumbs up just on account that It could keep me alive.” :: https://www.dcleakers.com/pappy-kojo-logos-ii-full-album/

Armand Hammer & The Alchemist – Haram, 2021.

Esse tipo de disco, que aliás é o tipo que o The Alchemist tem produzido com intenção brutal nos últimos anos, vai acabar por ser um dos registros mais importantes de um período inflado e confuso do hip-hop. Talvez o disco do ano já, só por estar contemplando um caminho musical e lírico que quase não encontra pares. Assustador como faixa após faixa, só fica melhor, mais intrincado e ocasionalmente abre a janela para uns segundos de redenção. :: https://armandhammer.bandcamp.com/album/haram

Menahan Street Band – The Exciting Sounds of Menahan Street Band, 2021.

Mais um da série: estou ficando velho rápido demais. E pensar que o último disco da Menahan Street Band é de 2012. Foi trilha sonora fundamental para um ano que ficou marcado como O Ano Do Coração Partido para mim. Nada como um dia após outro dia, meus bróderes. A banda continua firmeza demais, entregando clássico após clássico. “Some tracks sound like they are from the future and the past all at the same time.” :: https://menahanstreetband.bandcamp.com/album/the-exciting-sounds-of-menahan-street-band

nthng – Unfinished, 2021.

nthng fazendo ambient é o tipo de coisa que me representa demais :: “just get this and play it and boom, you’re trapped inside my head kinda like that movie with J-Lo called The Cell. This shit is what life is all about, my dear friends.” :: (o disco inteiro ainda não tá no bandcamp mas tu sabes como encontrá-lo) https://lobstertheremin.com/track/unfinished

God Is an Astronaut – Ghost Tapes #10, 2021.

Daí percebo que escuto God is An Astronaut há quase vinte anos já. O primeiro deles é de 2002. Teve um período (bem longo até) em que post-rock era algo novo, fresh ainda não muito repetitivo e carregava a responsabilidade de expandir nossas noções de roquenrol até um suposto infinito. O God is An Astronaut era (e ainda é) uma das melhores bandas desse período. Tive caminhadas em Belém ouvindo The End Of The Beginning, me perdi em madrugadas em São Paulo com Far From Refuge nos fones, pedalei por ruas vazias de Frankfurt com Age of The Fifth Sun como o meu único amigo. Agora me trancafio em lockdowns Rotterdam com Ghost Tapes #10 me trazendo a paz que só bandas como essa conseguem me trazer. Vinte anos, bicho. É como se tivessem sido dois. Virei tiozão saudosista do post-rock :: https://godisanastronaut.com/album/ghost-tapes-10

Calibre – Feeling Normal, 2021.

Curti muito o Planet Hearth, de 2019, do Calibre. Mas esse Feeling Normal é outra história. Liquid funk até o osso. :: “With a nod to the dancefloor, the clear idea for the album came about following the release of his most personal album to date ‘Planet Hearth’. “It still works in the headspace but ultimately it’s been written for the sweaty club experience we miss now, also after an album like Planet Hearth it felt very liberating to do,” he remarks.” :: https://calibre.bandcamp.com/album/feeling-normal

Parannoul (파란노을) – To See the Next Part of the Dream, 2021.

Tristeza e beleza shoegazer :: ” I still remember the first korean indie musician I heard. His music was so amateurish and difficult. The next musician I listened to had a great influence on my music life. However, his music was not promoted properly. Now they are all living their lives, disappearing from the Internet.
However, listening to their songs still reminds me of memories that never existed. Memories, recording alone in a small dark room, giving out a demo album to acquaintances, and forming a band in the club. Memories, in the early 2000s, when there was romance, performing at the Hongdae club with a few audiences, and then living each day without a plan. I’m sure I’ll never forget them forever.
I want to be a person like them, who is remembered and talked to for the rest of one’s life. Through these works, I want to leave a little trace of my own, no matter how stupid and anachronistic dream it may be.

This album can be said to be the answer to my dream.” :: https://parannoul.bandcamp.com/album/to-see-the-next-part-of-the-dream

Janko Nilovic & The Soul Surfers – Maze Of Sounds, 2020.

Um esculacho de grooves :: “Almost unknown to the general public, Janko Nilovic is a master for the initiated, whether they are at his side in the studio or comfortably seated in their armchair savouring the final result on their turntable. His discretion combined with his long years of silence on the record could lead one to believe that he had cleverly arranged his disappearance from the radar to make Janko Nilovic a mystery that has never been completely solved.” :: https://brocrecordz.bandcamp.com/album/maze-of-sounds

Metallica – Live At Festival Hall, Osaka, Japan – November 18th, 1986

Tava aqui ouvindo essa FITA de um show do Metallica em Osaka em 1986 e:

– que fio desencapado era o jovem james de 86. pirando nos efeitos vocais, gritando fora de tom, soltando aos poucos todos os trejeitos que hoje em dia consideramos default. ah, a fúria da juventude. a gargalhada de quem canta segurando um copo de ceva imenso.

– que época boa quando o metallica abria os shows com battery e metia uma sequência absurda de cinco músicas que acabava em um SOLO DE BAIXO.

– o tempo é quase duas vezes mais inclemente do que o tempo que o metallica pratica há uns 20 anos já. não que seja mais rápido, é só mais DESREGRADO. uma época mais romântica, menos técnica. tem umas engasgadas ansiosas.

Yob – Clearing the Path to Ascend, 2014.

O Yob tem uma meia dúzia de discos que não ouvi antes de Clearing the Path to Ascend. Mas acho que de certa forma isso não importa. Porque quando esse disco começou a tocar, nem parecia que era uma banda feita por pessoas de verdade. Assim como Novit Enim Dominus Qui Sunt Eius do Abyssal, que parece ser o fruto de uma gravação de uma luta entre kaijus no fundo do mar, esse disco do Yob parece ser a gravação de um terremoto enorme rachando um continente ao meio. Não é um som que sequer parece ter sido concebido dentro de um estúdio. É doom no seu modo mais doom possível.

BONES – DeadBoy, 2014.

GANGSTA DE BRANCO JOVEM que assiste filmes de terror demais. Mantendo o ritmo que dificilmente passa dos três minutos por faixa, BONES vai lançando uma mixtape atrás da outra, de graça. Até os interlúdios propositalmente bregas, no clima de trilha sonora de churrascaria, meio que funcionam. As numerosas faixas vão passando e entre uma piada e outra, tu vais ficando com medo – ou se empolgando. BONES sabe o que está fazendo e parece que vai continuar por um bom tempo. Enquanto os blunts durarem e ele tiver um quintal para sentar e fazer sessões infinitas. Essas mixtapes talvez sejam a minha trilha sonora que eu nem sabia que existia.